SHANKARA



Textos:

  1. A Sabedoria de Shankara
  2. O Advaita Vedanta e Shankara
  3. Oração de Shankara
  4. O Poema Moha Mudgarwn - O Fim da Ilusão
  5. Atmabodha (O Conhecimento de Si Mesmo)
  6. Atma-Bodha - Um Tratado Sobre o Conhecimento do Atman (Outra tradução)
  7. Atmabodha (O Conhecimento de Si Mesmo) (outra tradução)
  8. Atmabodha (Resumo)
  9. Tattva Bodha (O Conhecimento da Verdade)
  10. Tattva Bodha (O conhecimento da Verdade) (Nova Publicação)
  11. Vakya Vritti - Exposição Sobre a Essência - Tu És Isso
  12. Vakya Vritti (Outra tradução)
  13. Laghu Vakya Vritti (Comentário)
  14. Jivanmuktanandadalahar
  15. Bhaja Govindam
  16. Samsara (Com Sri Guru Astakam)
  17. Guru Ashtakam
  18. NIRVANA SHATKAM - SEIS ESTROFES SOBRE O NIRVANA
  19. PRASNA-UTTARA-MALIKA
  20. O REAL E O IRREAL
  21. Samadhi
  22. A ILUSÃO EM CHUANG TZU E SHANKARA
  23. O HINO SHIVASHTAKAM
  24. PRATAH SMARANA STOTRAM (UM HINO DA MANHÃ)
  25. MANISHA PANCHAKAM - POR SRI SHANKARA
  26. DAKSHINAMURTI STROTAM
  27. Atma Panchakam
  28. Brahma Jnanavali Mala
  29. Aparokshanubhuti - Autorrealização
  30. SRI LINGASHTAKAM (Não é de Shankara, mas deixo aqui o link)
  31. DṚG-DṚŚYA-VIVEKA - UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA DO VIDENTE (SUJEITO) E DO VISTO (OBJETO) 
  32. DṚG-DṚŚYA-VIVEKA - A SABEDORIA DO VIDENTE E DAQUILO QUE É VISTO (nova tradução)
  33. DṚG-DṚŚYA-VIVEKA – WISDOM OF THE SEER AND THE SEEN (Texto em Inglês)
  34. Maya Panchakam
  35. O Conceito de Maya
  36. Os Dois Poderes de Maya: Avarana Shakti e Vikshepa Shakti
  37. O Que é Advaita ou Advaita Vedanta?
  38. Advaita Vedanta - Prática
  39. A Unicidade da Existência
  40. Os Conceitos Básicos do Advaita Vedanta
  41. A Abordagem do Advaita Vedanta em Relação à Natureza da Realidade
  42. O Que é Jnana Yoga
  43. A Busca de Si Mesmo
  44. A Magia
  45. Os Princípios do Vedanta
  46. Os 4 Princípios Cardeais do Vedanta
  47. O Mundo do Estado de Vigília Também é Irreal
  48. A Sabedoria Que Liberta

Vídeos:

  1. KALADY, ÍNDIA - LOCAL DE NASCIMENTO E TEMPLO DEDICADO A ADI SHANKARACHARYA
  2. ADI SHANKARACHARYA | FILME LEGENDADO EM PORTUGUÊS
  3. O Vedanta de Shankara (Palestra)



Shankara (c. 788 – 820) foi um monge errante indiano. Foi o principal formulador doutrinal do Advaita Vedanta, ou Vedanta não dualista. Segundo a tradição, foi uma das almas mais excelsas que já encarnaram neste planeta, chegando a ser considerado uma encarnação do deus hindu Shiva. Sua vida encontra-se envolta em mistérios e prodígios que a tornam semelhante às de outros ilustres mestres espirituais da humanidade, como Jesus, Moisés e Buda. Outras grafias de seu nome são:

Sancara, Sankaracharya, Sancaracarya, Shankaracharya, Sankara, Adi Sankara, Adi Shankaracharya e Adi Shankara, sendo também chamado de Bhagavatpada Acharya (que significa "o Mestre aos pés do Senhor").

Escreveu profundos comentários sobre os Brahma-sutras, Upanishads, o Bhagavad-Gita e outros livros da sabedoria hindu. Seus escritos fundamentaram as exposições doutrinais dos autores da filosofia perene na época contemporânea, como o francês René Guénon e o suíço-alemão Frithjof Schuon.

Nascimento e Primeiros Anos

Não se sabe ao certo onde e quando nasceu. Alguns o fazem aparecer no seculo II a.C., já outros fazem a data avançar até mesmo ao seculo X.Contudo, existe a tendência de situar seu nascimento em torno do século VIII da era Cristã. Igualmente, o local de seu nascimento é objeto de disputas, sendo indicadas as povoações de Shringeri, Sasala-grama, Cidambara-pura, Kalati e, por fim, Kalpi.

Sivaguru e Aryamba, seus futuros pais, há muito desejavam um filho. Então, conforme a história, Shiva lhes apareceu em sonho, perguntando se desejavam um único filho, que seria o mestre mais brilhante de sua geração mas morreria jovem, ou muitos rebentos, todos porém medíocres. Optando pela primeira alternativa, nasceu então Sankaracharya. A tradição oral relata a ocorrência de diversos prodígios na ocasião de seu nascimento, como a pacificação de feras anteriormente hostis entre si, a emanação sobrenatural de fragrâncias por árvores e outras plantas, a audição de cantos celestiais e outros fenómenos que espelhariam a alegria da natureza e dos deuses com seu nascimento.
Narra-se que com apenas um ano de vida teria aprendido o alfabeto sânscrito, aos dois já saberia ler e, aos três, teria estudado os Kavyas e os Puranas Com sete anos, suas luzes já eram tantas que deixou o professor e voltou para casa. Ainda na infância, começou a operar milagres, curando a mãe e provocando a cheia de um rio.
Na mesma época, o sábio Agastya profetizou à mãe de Sankaracharya que seu filho não ultrapassaria os 32 anos de vida. Percebendo a fragilidade do mundo material, Sankaracharya decidiu assumir a vida de asceta errante. Encontrando a objeção materna, venceu a oposição com outro milagre. Tendo ido banhar-se em um rio, seu pé foi abocanhado por um crocodilo. Acorrendo a mãe ao local, foi-lhe dito que a fera não o soltaria se ela não concordasse com o propósito do jovem, e então ela cedeu.
Sua Trajetória

Após deixar a mãe aos cuidados de parentes, e já não tendo pai, partiu Sankaracharya em perambulação por florestas e cidades, até chegar à caverna onde Govinda Yati estabelecera seu refúgio.

Solicitando admissão como discípulo, foi aceito, e aprendeu sobre Brahman através de quatro motes:

-O Conhecimento é Brahman;
-Esta Alma é Brahman;
-Tu És Aquele;
-Eu Sou Brahman.
Logo após ser aceito, estando seu mestre em profunda meditação, absorto do mundo, Sankaracharya produziu outro milagre, acalmando uma furiosa tempestade que se desencadeara sobre o local. Despertando Govinda de sua meditação, e percebendo o que o jovem discípulo fizera, felicitou-o, abençoou-o e recomendou que fosse à cidade santa de Benares para receber as bênçãos da Divindade, despedindo-o com a exortação: "Por teu feito glorioso, vai então, e começa a salvar a humanidade".

Chegando a Benares, passou ele também a aceitar discípulos, apesar de ainda não ter passado dos doze anos de idade. O primeiro foi Sananda (Padma-Pada), que seria seu favorito. Provavelmente houve muitos outros, mas só nos chegaram os nomes de mais três: Suresvara, Totaka (ou Trotaka), e Hastamalaka. Sankaracharya transferiu-se então para Badari, à margem do Ganges, onde compôs sua obra-prima, um comentário sobre os Brahma-Sutras. Outras obras se seguiram, como os comentários sobre os Upanishads e outras obras clássicas indianas.

Depois destes feitos, Sankaracharya passou a ser largamente conhecido, atraindo a admiração de muitos seguidores, e também a inveja e fúria assassina de inimigos. Nas muitas disputas filosóficas em que entrava, saía sempre vitorioso, incluindo na que travou com o sábio Vyasa, que lhe apareceu disfarçado como um idoso brâmane. Após oito dias de debate, atestando o profundo conhecimento do jovem, Vyasa concedeu-lhe dezesseis anos adicionais à sua perspectiva de vida, a fim de que ele completasse seu trabalho de reformar o hinduísmo.

Daí em diante, Sankaracharya passou de cidade em cidade, e de vitória em vitória em todas as querelas filosóficas, e operando ainda diversos outros milagres, como o de entrar na casa de Mandana Mishra (ou Vishvarupa) pelos ares. Mandana Mishra era um grande filósofo, com o qual disputou, vencendo-o e chamando-o de discípulo. A esposa dele, Bharati, considerada uma encarnação de Sarasvati, também foi instada a debater, sendo vencida em todos os pontos salvo um, a respeito da natureza do amor, tema com o qual o jovem Sankaracharya não tinha familiaridade alguma, tendo sido um asceta celibatário por toda a vida. Entretanto, pediu à deusa um adiamento de um mês, a fim de que pudesse encontrar a resposta requerida, e partiu.

A oeste da cidade deparou-se com uma multidão que estava a prantear um rei, Arnaruka, recentemente falecido. Decidido a aproveitar a oportunidade, confiou seu próprio corpo ao cuidado dos seus discípulos, e em segredo fez sua alma entrar no corpo do rei morto, que despertou novamente para a vida, sem entretanto revelar sua verdadeira identidade. A multidão, em júbilo, levou-o de volta ao palácio real, onde o asceta disfarçado de rei entregou-se aos braços da esposa do defunto, com o objetivo de aprender tudo sobre a Ciência do Amor, o que fez com tal brilhantismo que pôde escrever um tratado sobre o tema. Porém, percebendo todos que seu "rei" voltara à vida muito mais sábio do que quando dela partira há tão pouco tempo, começaram a suspeitar de um possível intercâmbio de almas, e ordenou-se, sem seu conhecimento, que todos os cadáveres do reino fossem imediatamente cremados.

Enquanto isso, seus discípulos, tendo transcorrido um tempo maior do que o previsto para seu retorno, iniciaram sua busca, e acabaram por chegar à cidade real, onde ouviram a história da ressurreição do velho rei e, com cantos e lamentos, tocaram a consciência interna de Sankaracharya, fazendo-o abandonar o corpo emprestado. Retomando o seu, que neste momento já estava sendo entregue às chamas, conforme a ordem dos ministros (ou da própria viúva, segundo outras versões) do rei, voltou então à casa de Mandana, respondeu à pergunta de Sarasvati e converteu Mandana ao vedantismo.

Voltando a perambular, soube que sua mãe estava à beira da morte e acorreu ao seu encontro, tranquilizando-a na hora do desenlace. Sendo impedido por seus parentes de oficiar os ritos de cremação, por ser um asceta, não obstante ele emitiu um fogo de sua mão que incinerou o corpo da mãe.

Depois disso, o sábio continuou em suas peregrinações, visitando diversos reinos,estabelecendo templos, reformando antigos cultos e debatendo incansavelmente com todos os grandes luminares que encontrou, corrigindo os erros que maculavam a pureza da doutrina Hindu. Ouvindo falar de um templo em Caxemira que só podia ser aberto por um ser omnisciente, para lá se dirigiu a fim de abrir sua porta sul, a única que ainda permanecia fechada. Sendo examinado pelos doutores, foi considerado apto e, estando prestes a assumir sua cátedra, foi novamente interpelado por Sarasvati. A Deusa objetou dizendo que só um indivíduo imaculado poderia ocupar aquela cadeira, aludindo à experiência carnal que ele tivera no corpo do rei falecido. Em resposta, Sankaracharya argumentou que ele não poderia ser responsável pelos pecados de um outro corpo, com o que Sarasvati deu-se por satisfeita, permitindo-lhe a apoteose.

Após outras peregrinações, acabou seus dias conforme havia sido profetizado, com 32 anos, subido aos céus, como diz a lenda, cercado de deuses e sábios que cantavam a palavra "Vitória". (Fonte: Wikipédia)



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