O Buscador de Deus




"O buscador de Deus é o verdadeiro amante de Vidya, a Verdade Imutável. Tudo o resto é Avidya, conhecimento relativo" - Paramahansa Yogananda


O BUSCADOR DE DEUS

A maioria de nós acredita que somos uma pessoa independente, com um corpo e uma mente.

Possivelmente existirá uma "alma" que sobreviverá à morte de alguma forma. Pensamos que existem outros indivíduos e outros objetos separados, e inclusive, alienígenas potencialmente ameaçadores.

Mas isso será realmente verdade? A noção de "pessoa" deriva do latim persona, referindo-se à máscara usada pelos atores no antigo teatro grego. É usado agora na psicologia quando se fala da fachada artificial que exibimos aos outros, e por trás da qual esconde-se o eu "real".

Mas nós também reconhecemos o senso de um eu imutável. Imutável desde que o reconhecemos presente em nós pela primeira vez.

Os nossos corpos estão mais velhos e mais débeis, os nossos pensamentos e as nossas crenças amadureceram, mas a maioria de nós sente que tem um corpo e uma mente, e não que é um corpo e uma mente.

"Tudo aquilo que você vê em mim, devo-o ao esparguete" - Sophia Loren

O corpo nada mais é do que a comida que comemos, inteligentemente reorganizada em proteínas mais complexas, servindo funções específicas pelas instruções mecânicas dadas pelo ADN, ou seja, nada mais do que comida processada.

As nossas opiniões e os nossos pensamentos são um produto inevitável da nossa educação. Pais, colegas,  professores e livros conspiram involuntariamente (ou não) para nos "educarem" na nossa visão da vida e nas nossas aspirações.

Nós precisamos olhar por trás dessa fachada .

O processo pelo qual "anexamos" o nosso verdadeiro Eu a uma ideia equivocada daquilo que somos é chamado em sânscrito Ahamkara. Ahamkara significa literalmente, "a criação (Kara) do enunciado 'eu' (Aham)". Ahamkara, costuma-se equiparar ao conceito ocidental de "ego", e este, deve ser controlado pelo intelecto, se quisermos fazer qualquer "progresso" num caminho espiritual.

De forma semelhante, os "estados de consciência" (vigília, sonho e sono profundo) com os quais estamos familiarizados são transitórios, e portanto, ilusórios.

Somente quando as nossas mentes estão completamente paradas ou no intervalo entre dois pensamentos, é que verdadeiramente podemos reconhecer quem realmente somos. Este pano de fundo omnipresente é chamado de Turiya, que em sânscrito significa literalmente, "o quarto", e que sustenta toda a nossa experiência (em todos os três estados referidos acima).

Estamos constantemente à procura de felicidade, mas infelizmente, e com demasiada frequência, encontramos apenas miséria.

Para a grande maioria das pessoas no mundo, o tema da felicidade é um tanto mistificador quanto complexo. O que jamais devia ser. Os filósofos ocidentais refletiram sobre a felicidade nos últimos dois mil e quinhentos anos. Os psicólogos e os sociólogos experimentaram e conduziram pesquisas sobre a felicidade nos últimos cem anos. Ainda assim, existe muito pouco consenso. E, ainda por cima, parece haver cada vez menos felicidade no mundo. Existem momentos felizes, mas logo são seguidos por outros sentimentos de natureza muito dúbia.

Para o seguidor do Advaita Vedanta, por outro lado, o assunto é simples. Existe apenas o Ser (o Eu real, Turiya), e aceitando que nunca poderemos falar do Ser objetivamente, podemos dizer que o Ser É felicidade. E somente no Ser se pode ser verdadeiramente feliz.

O mesmo se aplica à questão do significado e do propósito das nossas vidas.

No mundo em geral, é provável que hajam quase tantas ideias e respostas para estas questões, quanto pessoas existem. Além disso, sabemos que conceitos de significado e de propósito são simplesmente isso - idéias na mente. Como tal, o valor dessas ideias são, no máximo, úteis como ferramentas para conduzir a mente até à compreensão última. Uma vez lá, todas as ideias devem ser abandonadas para que o salto final possa ser dado, extinguindo para sempre toda a nossa identificação com o ego e com a mente.




Fonte do texto:
Dennis Waite
http://www.advaita.org.uk/discourses/unreal/unreal.htm
(tradução livre)

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