A Unicidade da Existência





"Preenchidas totalmente com Brahman estão as coisas que vemos, preenchidas totalmente com Brahman estão as coisas que não vemos. De Brahman flui tudo o que existe: De Brahman, tudo - todavia, ele ainda é o mesmo. OM... Paz - paz - paz." - Isha Upanishad


A UNICIDADE DA EXISTÊNCIA

A unidade da existência é um dos grandes temas do Vedanta, nomeadamente do Advaita Vedanta (Vedanta não dualista), e um pilar essencial da sua filosofia. A unidade é a canção da vida; é o grande tema subjacente às ricas diversidades que existem em todo o cosmos. Tudo aquilo que vemos ou tudo aquilo que nós experienciamos, é apenas uma manifestação dessa unicidade eterna. A divindade existente no centro do nosso ser é a mesma divindade que ilumina o sol, a lua e as estrelas. Não há lugar onde nós, infinitos na nossa natureza, não existamos.

Embora o conceito de unicidade possa ser intelectualmente atraente, é difícil colocá-lo em prática. Não é difícil sentirmos unicidade com seres grandes e nobres ou com aqueles que amamos. Também não é muito difícil experienciar uma sensação de unidade com as árvores, com o oceano e com o céu. Mas a maioria de nós hesita em experimentar a unicidade com uma barata ou com um rato - sem falar do colega desagradável que nós mal toleramos. No entanto, é precisamente nesse ponto que precisamos aplicar os ensinamentos do Advaita Vedanta e perceber que todos esses múltiplos aspetos da criação estão unidos na, e pela divindade. O Ser, o Eu, o Atman que está dentro de mim, é o mesmo Ser que está dentro de você - não importa se o "você" em questão é um santo, um assassino, um gato, uma mosca, uma árvore ou aquele motorista irritante que nos impede a passagem.

"O Ser está em toda parte", diz o Isha Upanishad. “Quem vê todos os seres no Ser e o Ser em todos os seres não odeia nenhum desses seres. Para quem vê a unicidade em todos os lugares, como pode haver lugar para a desilusão ou para a tristeza?

Todo o medo e toda a miséria surgem do nosso senso de separação da grande unidade cósmica, a teia do Ser que nos envolve. "Há medo do segundo (do outro)", diz o Brihadaranyaka Upanishad. A dualidade, o nosso senso de separação do resto da criação, é sempre uma perceção errónea, pois implica que exista algo que não seja Deus. Não pode existir o outro. "Este grande ensinamento, a unicidade das coisas, tornando-nos um com tudo o que existe, é a grande lição a ser aprendida", disse Swami Vivekananda há um século atrás.

"O Ser é a essência deste universo, a essência de todas as almas... Você é um com este universo. Aquele que diz que é diferente (ou que está separado) dos outros, até mesmo por um fio de cabelo que seja, imediatamente se torna infeliz. A felicidade pertence àquele que conhece esta unicidade, que sabe que ele é um com este universo."


Adi
Shankaracharya
(788-820)

Tradução livre de:
The Oneness of Existence
https://vedanta.org/what-is-vedanta/the-oneness-of-existence/

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