A Abordagem do Advaita Vedanta em Relação à Natureza da Realidade




Ó Brahman Supremo!
Vós não possuis forma, contudo,
(Embora ninguém saiba a razão)
Criais muitas formas;
Vós as criais, e então
As recolheis dentro de vós.
Enchei-nos com os vossos pensamentos!

Vós sois o fogo,
Vós sois o Sol,
Vós sois o ar,
Vós sois a Lua,
Vós sois o firmamento estrelado,
Vós sois o Supremo Brahman:
Vós sois as águas vós,
O criador de tudo!

- Swetasvatara Upanishad


A ABORDAGEM DO ADVAITA VEDANTA EM RELAÇÃO À NATUREZA DA REALIDADE

Por Jayaram V


O CONCEITO DO ADVAITA VEDANTA

O Advaita Vedanta refere-se à escola não-dualista da filosofia hindu, que é derivada principalmente dos Upanishads e que foi elaborada de de forma mais detalhada por estudiosos eminentes como foi o caso de Gaudapada e Sri Shankaracharya. Dvaita significa dualidade e Advaita significa não-dualidade. Em termos simples, Advaita significa ausência da dualidade entre sujeito e objeto. Na nossa consciência desperta, nós experimentamos a dualidade, mas no sono profundo existe apenas a não-dualidade.

A escola Advaita acredita que Brahman é a única realidade e que tudo o mais é mera aparência, projeção, formação ou ilusão. Um dos exemplos mais comuns usados ​​para descrever este estado é sobrepormos momentaneamente a aparência de uma cobra numa corda quando esta última encontra-se enrolada num lugar escuro. A cobra é uma ilusão e a corda é a única realidade. Da mesma maneira, o mundo aparece na mente como uma formação (ilusória) ou uma sobreposição no Eu (não o ego ou eu individual).

Esta escola também acredita que o eu individual, não tem uma existência própria, independente ou separada. É apenas uma projeção ou um reflexo de Brahman existente em cada ser. Um jiva (o eu individual) é uma alma iludida pelo egoísmo, pelos desejos e por outras impurezas, e desta maneira, experimenta a dualidade e a separação. Por causa disso, cada ser está ligado ao ciclo de nascimentos e de mortes (samsara) e às leis do karma, e permanece assim até que a libertação seja alcançada.

Brahman é real, mas o mundo em que vivemos é uma mera ilusão, existindo como uma miragem. Aparece na nossa consciência por causa da atividade da mente e dos sentidos. Já que dependemos totalmente deles, não percebemos Brahman, a realidade última, que está oculta em tudo. Quando eles (a mente e os sentidos) são completamente interiorizados e se tornam silenciosos, através do desapego, da pureza e da renúncia, podemos sentir o Ser Supremo oculto em tudo e alcançamos a libertação.

O Advaita Vedanta acredita que um mestre iluminado, possuindo tanto o conhecimento proveniente das escrituras, como o conhecimento de Brahman, é indispensável para quem busca a salvação.

O Mandukya Karika de Gaudapada é considerado o primeiro tratado disponível sobre o Advaita Vedanta, enquanto as obras monumentais de Shankaracharya constituem a sua literatura central.

As Sucessivas gerações de mestres enriqueceram a escola de Advaita através dos seus ensinamentos e obras místicas. A escola Advaita também faz parte do Vaishnavismo, Shaivismo e Shaktismo, sob diferentes nomes.

Alguns conceitos importantes do Advaita Vedanta são apresentados abaixo:

SADHANA CHATUSHTAYAM

Sadhana Chatushtayam significa o quaternário que é imperativo para a prática espiritual e para a libertação. Os quatro conjuntos de qualificações seguintes são considerados essenciais para alcançarmos a salvação, e que cada aspirante deve cultivar:

1. Nityanitya Vastu Viveka: A capacidade de discriminar ou discernir entre aquilo que é eterno (nitya) [Eu] e aquilo que é temporário (anitya) [não-Eu]. A ausência desta discriminação ou discernimento em nós é responsável pela nossa ilusão.

2. Ihamutrartha Phala Bhoga Viraga: Desinteresse em apreciar o fruto das nossas ações e em apreciar os objetos dos sentidos, agora e para sempre. Isto impedirá a continuação e a formação de mais Karma.

3. Sama Adi Satka Sampatti: São as qualidades como sama (controle dos órgãos sensoriais internos), dama (controle dos órgãos sensoriais externos), uparati (abstinência), titiksha (quietude), shraddha (sinceridade e fé) e samadhana. Elas são importantes para a autotransformação e para a predominância da guna (gunas são três "tendências" da matéria — sattva, rajas e tamas — que caracterizam um comportamento, estado mental ou fenómeno natural) denominada sattva (pureza, sabedoria ou literalmente: existência, realidade), sem a qual não se pode estar livre da três impurezas: egoísmo, apego e ilusão.

4. Mumukhatva: Intensa aspiração pela salvação. Esta aspiração surge principalmente devido às boas obras (karma) executadas no passado. De acordo com o Bhagavad Gita, somente após inúmeros  nascimentos a pessoa sente um forte impulso para alcançar a salvação, e assim, volta-se para o percurso do caminho da salvação.

PRAMANAS

São os padrões usados para se determinar ou para validar o conhecimento correto, a verdade. Neste mundo dual é muito difícil saber qual é o conhecimento correto e confiável para a salvação ou para se determinar a verdade. O Advaita Vedanta reconhece seis Pramanas, três dos quais foram propostos por Shankaracharya e os outros três foram propostos pelos seus seguidores. Eles são:

1. Pratyaksha: O conhecimento que vem através da perceção. Este é um conhecimento objetivo que é experimentado diretamente através dos sentidos ou em estados mais profundos de consciência.

2. Anumana: O conhecimento adquirido através da inferência (A inferência ou ilação é a operação intelectual mediante a qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência da sua ligação com outras proposições já reconhecidas como sendo verdadeiras. Consiste, portanto, em derivar conclusões a partir de premissas conhecidas ou decididamente verdadeiras. Exemplo: Todos os homens são mortais, Sócrates é um homem. Portanto, Sócrates é mortal.). Este é um conhecimento especulativo baseado na suposição ou na crença.

3. Upamana: O conhecimento proveniente da analogia, comparação e contraste. Este é um conhecimento relacional.

4. Arthapatti: O conhecimento obtido por pressupostos significativos, baseados no senso comum e nas experiências anteriores. Este é um conhecimento hipotético.

5. Anupalabdhi: O Conhecimento obtido através da negação (Neti-neti, ou seja, nem isto, nem aquilo).

6. Agama: O Conhecimento obtido através do estudo das escrituras. Isto é puro conhecimento teórico.

A TEORIA DA CAUSAÇÃO

O Advaita Vedanta reconhece duas formas de causação, a causa material e a causa instrumental. De acordo com esta escola, Brahman é a causa material e a causa instrumental da criação. Em outras palavras, Brahman fornece não apenas a vontade e a direção, mas também, o material e a energia necessários para a manifestação dos seres e dos mundos. Brahman é Purusha (O Eu, o Si mesmo ou Ser) e a Prakriti (Natureza). Isto contrasta com algumas outras escolas da filosofia Hindu, que argumentam que Brahman é a causa instrumental enquanto que a Prakriti ou a natureza é a causa material.

CAUSA E EFEITO:

Adi Shankaracharya propôs que cada causa está oculta em cada efeito, enquanto que o oposto não é verdadeiro. Em outras palavras, a semente está escondida na árvore que a produz. Enquanto uma causa não é diferente do efeito que produz, o mesmo não pode ser referido no caso do efeito em relação à sua causa. Uma causa é sempre parte do efeito, escondida dentro dele e, portanto, não é diferente dele.

Brahman é a causa de toda a criação. Portanto, o mundo é real apenas devido a Brahman, que é a sua causa, está oculto nele e é inseparável dele. A partir desta perspetiva, o mundo se torna uma ilusão porque desaparece quando o Eu ou Brahman é retirado dele. O mundo existe quando você, a causa, está presente na sua mente. Quando você, a causa, se retira dele, o mundo desaparece.

Shankaracharya propôs a teoria da causação (vivartavada). Segundo ele, um efeito é uma projeção exterior da causa e, portanto, não é real. Isto está em contraste com o conceito de parinamavada, de acordo com o qual, um efeito é uma evolução ou transformação da causa e, portanto, tão real quanto a própria causa.

MAYA

De acordo com o Advaita Vedanta, o mundo é uma ilusão ou maya, que é causada pelo poder de projeção (manifestação) e de ocultação (poder de velar) de Brahman. O mundo é irreal ou ilusório num sentido absoluto. Uma vez que é uma projeção da consciência de Deus, o mundo desaparece quando o véu é retirado. O véu (ou a ocultação) é chamado de avarna e a projeção é chamada de viksepa. Os seguidores do Advaita Vedanta argumentam que maya (num sentido relativo) não é real nem irreal, mas algo que é indeterminado ou indescritível (anirvachaniyam), porque não pode ser ambos ao mesmo tempo.

BRAHMAN E ATMAN

Brahman é a realidade suprema, absoluta e eterna. É a única verdade, a causa de tudo e a única realidade estável e permanente. O Atman é Brahman, sendo percebido na relatividade, ou seja, no mundo manifestado (maya ou mente) como o eu individual, O Atman ou Brahman é a realidade oculta, em todos os aspetos da criação. Não existe nenhuma diferença entre os dois.

Quando o Eu (o Atman) supera o seu véu, ele experimenta a não-dualidade (Advaita anubhava) da existência e realiza a sua unicidade com o Absoluto.

Brahman em seu estado absoluto é sem qualidades e sem atributos. No entanto, no nosso estado relativo, percebemo-Lo como tendo certos atributos e nos referimos a ele como Ishvara (o Deus pessoal, muitas vezes personificado), o senhor do universo. Num sentido último, Ishvara também não é a causa, mas apenas um efeito ou um reflexo de Brahman na qualidade de Sattva.

O MUNDO

De acordo com o Advaita Vedanta, o mundo é irreal, não porque não exista, mas porque existe apenas enquanto o Eu está presente na consciência como o sujeito. Quando o Eu é retirado da consciência, o mundo desaparece. Além disso, o mundo (maya ou mente) está sempre mudando, instável, impermanente e sujeito à destruição e à decadência. O mundo é uma aparência, uma projeção de Deus, tal como uma miragem ou uma realidade equivocada.

Os nossos sentidos tomam como certo aquilo que nós erroneamente consideramos como real e permanente. O mundo existe por causa da nossa perceção da dualidade e desaparecerá quando entrarmos no estado de não-dualidade ou da pura subjetividade, que é o estado do Eu. Quando superamos a ilusão ao desenvolvermos o desapego dos objetos dos sentidos, entramos nesse estado de pura consciência onde a dualidade entre sujeito e objeto, ou de conhecedor e conhecido simplesmente desaparecem e somente o Eu permanece.

AVALIAÇÃO CRÍTICA

Alguns argumentam que Shankaracharya foi inspirado pelos ensinamentos de Buda, especialmente aqueles pertencentes à escola do vazio (Shunyavada), ao postular a teoria do não-dualismo. Isso pode não ser verdade porque o budismo não acredita na existência do Eu (Ser, Atman).

É verdade, de acordo com ambas as escolas, que um ser se torna vazio na libertação. Segundo o budismo, o nirvana é um estado indeterminado no qual todos os traços da individualidade desaparecem. De acordo com o Advaita Vedanta, após a libertação, o eu individual que está presente como sendo uma projeção de Brahman desaparece no oceano da existência como nada.

Shankaracharya foi precedido por muitos estudiosos védicos que seguiram o caminho do não-dualismo. Para eles, o não-dualismo não era apenas uma teoria especulativa, mas um meio para a salvação. Shankaracharya seguiu a antiga tradição dos Upanishads, que sustentou a sua escola, e provavelmente, pertencia a uma tradição de mestres que já a seguiam.

Nos milénios seguinte, os seus ensinamentos e as suas numerosas obras tornaram-se o padrão da escola de Advaita Vedanta.

No entanto, as obras de Shankaracharya não foram aceitas por todos os estudiosos indianos. Ele foi severamente criticado por essa sua posição Advaita (não-dual), por aqueles que seguiram o Dvaita (dualidade) e aqueles que seguiram o Vishishtadvaita (não-dualismo qualificado). Mesmo no Advaita existem muitas variações.

A maioria dessas escolas passaram a existir como filosofias ou pontos de vista alternativos, com a sua base na oposição ao Advaita ou como crítica a ele. Os trabalhos ou comentários de Adi Shankaracharya sobre os Upanishads, o Bhagavad Gita e os Brahma Sutras ajudaram muito a compreender as nuances subtis do Advaita Vedanta. Apesar de serem, na sua maioria, traduções e comentários baseados em obras já existentes, nós ainda podemos encontrar neles ideias e interpretações totalmente originais.

Os críticos de Shankara argumentaram que ele apenas ensinou uma versão do Budismo como Advaita Vedanta. No budismo, a libertação surge da compreensão perspicaz de que o mundo é uma mera aparência ou um fenómeno. Quando alguém obtém essa perceção, alcança o estado absoluto imutável, imortal, que não pode ser descrito.

No Advaita Vedanta, a libertação surge da autorrrealização ou da realização de que apenas o Eu é real e que tudo o mais é mera aparência ou fenómeno. Assim, o conceito de Maya no Advaita Vedanta está enraizado na realidade eterna de Brahman, e não apenas na ilusão temporária da mente, como é o caso dos budistas.

Também é provavelmente falso que Shankaracharya tenha sido fundamental no declínio do budismo. Tudo começou muito antes do surgimento de Shankaracharya, talvez trezentos anos antes. Na época em que Shankaracharya nasceu, o Budismo já estava em declínio e muitos locais de residência Budistas (aramas e Viharas), que já se encontravam em estado de negligência, estavam ocupados por grupos ascéticos do Shaivismo e do Vaishnavismo. Parece mesmo que já na sua era, muitos locais de culto Budistas já tinham sido convertidos em santuários Hindus. É verdade que através das suas viagens, dos seus debates e das suas discussões, Shankaracharya consolidou o renascimento do Hinduísmo. Ele serviu como uma grande causa na preservação do Hinduísmo quando religiões organizadas como o Islamismo e o Cristianismo chegaram à Índia e pareciam ameaçar a sua própria existência. O Advaita Vedanta de Shankaracharya ou a sua teoria de não-dualismo, proporcionou um nível de igualdade para os hindus durante a doutrinação islâmica e contribuiu para a síntese de novos movimentos como foi o caso do Sufismo.


Adi Shankaracharya
Fonte do texto: 
tradução livre de
http://www.hinduwebsite.com/hinduism/concepts/advaitaconcept.asp


Reproduzo aqui a totalidade da oração/invocação a Brahman, que partilhei no início desta mensagem, e que está presente no Swetasvatara Upanishad:

Ó Brahman Supremo!
Vós não possuis forma, contudo,
(Embora ninguém saiba a razão)
Criais muitas formas;
Vós as criais, e então
As recolheis dentro de vós.
Enchei-nos com os vossos pensamentos!

Vós sois o fogo,
Vós sois o Sol,
Vós sois o ar,
Vós sois a Lua,
Vós sois o firmamento estrelado,

Vós sois o Supremo Brahman:
Vós sois as águas vós,
O criador de tudo!

Vós sois a mulher, vós sois o homem,
Vós sois o jovem, vós sois a donzela,
Vós sois o ancião que cambaleia com seu cajado;
Vós estais voltado para todos os lados.

Vós sois a borboleta escura, Vós sois o papagaio verde com olhos vermelhos,
Vós sois a nuvem de trovoada, as estações, os mares.
Sois sem princípio,
Além do tempo, além do espaço.
Vós sois aquele de quem brotaram
Os três mundos.

Maya é a vossa consorte divina
Casada convosco.
Vós sois o seu senhor, o seu governante.
Ela é vermelha, branca e negra,
Sendo cada cor uma guna.
Inúmeros são os seus filhos
Os rios, as montanhas,
Flor, pedra e árvore,
Besta, pássaro e homem
De todos os modos, iguais a ela própria

Vós, espírito na carne,
Esquecendo o que sois,
Unistes-vos com Maya,
Porém apenas por uma estação.
Separando-vos finalmente dela,
Vós vos recuperastes.

Vós, imortal Brahman,
E vós, feito de barro
(Dois seres, porém um só)
Como dois belos pássaros,
De plumagem dourada,
Inseparáveis companheiros,
Empoleirados nos altos galhos
Da mesma árvore
Como homem provais
Os doces frutos da árvore,
Os frutos doces e os amargos:
Porém, como Brahman, senhor de Maya,
Permaneceis invisível,
Imóvel,
Calmamente observando.

Esquecendo sua unidade convosco,
Desnorteado pela sua fraqueza,
Cheio de dor está o homem;
Deixai-o, porém, olhar-vos de perto,
Conhecer-vos como a ele mesmo,
Ó Senhor, o mais venerado,
E contemplar a vossa glória
Vejam; toda a sua profunda dor
transforma-se em alegria.

Imutável sois vós,
Supremo, puro!
Em vós moram os deuses.
Vós sois a fonte de todas as escrituras:
Porém, que proveito terão as escrituras
Se forem suaves nos lábios,
Mas ausentes do coração?
Para aquele que vos conhece chega a plenitude
Para ele somente!

Vós sois o Senhor e o Mestre de Maya,
O homem é seu escravo.
Unindo-vos com Maya, elaborastes o Universo.
Vós sois a fonte de todas as escrituras,
E a fonte de todos os credos.
O Universo é a vossa Maya;
E vós, grande Deus, seu senhor,

Onde quer que o olho caia,
Ali, dentro de todas as formas,
Vós habitais.

Vós sois um só, apenas um.
Nascido de muitos úteros,
Vós vos tornastes muitos:
Para vós todos retornam.
Vós, Senhor Deus, concedeis todas as bênçãos,
Vós a Luz, vós o Adorável.
Quem quer que vos encontre
Encontra paz infinita.

Vós sois o Senhor Deus de todos os deuses
Todos os mundos descansam em vós;
Vós sois o governante das bestas,
De duas patas, de quatro patas;
Seja vossa a devoção dos nossos corações!
Vós sois o Senhor bem-aventurado,
Mais subtil do que o mais subtil.
Somente em vós existe paz.

Vós, único guardião do Universo,
Vós, senhor de tudo,
Nos corações das criaturas
Vós vos escondeis.
Os Deuses e os que vêem se tornam Um convosco.
Aqueles que vos não conhecem não morrem.

De todas as religiões vós sois a fonte.
Ao brilhar a luz do vosso conhecimento,
Não existe dia ou noite,
Ser ou não ser
Somente vós sois.

Somente vós sois vós a Luz
Imperecível, adorável;
Grande Glória é o vosso nome.
Ninguém está ao vosso lado,
Ninguém é igual a vós.

Invisível é a vossa forma,
Invisível aos olhos mortais;
Só aqueles que veem
Em seus corações purificados
Só eles vos veem.
Só eles são imortais.
Nem macho nem fêmea vós sois,
Nem neutro;
Seja qual for a forma que assumis,
Isso sois vós.

Vós permeais o Universo,
Vós sois a própria consciência,
Vós sois o criador do tempo.
Omnisapiente sois vós.
Ao vosso comando, Maya,
Vosso poder divino,
Projeta este Universo visível,
Projeta o nome e a forma.

Vós sois o Ser Primordial.
Vós apareceis como este Universo
De ilusão e de sonho.
Vós estais além do tempo.
Indivisível, infinito, o Adorável - Que um homem medite sobre vós
Dentro do seu coração,
Que ele se consagre a vós,
E vós, Senhor infinito,
Vos dareis a conhecer a ele.

Vós, útero e túmulo do Universo,
E seu domicílio;
Vós, fonte de toda virtude,
Destruidor de todos os pecados
Vós estais instalado no coração.
Quando sois visto,
O tempo e a forma desaparecem.
Que o homem sinta a vossa presença,
Que vos contemple interiormente,
E a ele virá a paz,
Paz eterna - Para ninguém mais, para ninguém mais!

Vós sois o eterno entre não-eternos,
A consciência do consciente;
Embora único, preencheis
Os desejos de muitos.

Que o homem se dedique
A conhecer-vos,
Que siga o vosso caminho,
E ele vos conhecerá:
Todos seus grilhões serão afrouxados.

Pode um homem enrolar o céu
Como um pedaço de pele?
Pode ele pôr fim à sua miséria
E não vos conhecer?

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