Como é que Podemos Reconhecer um Jnani? | Annamalai Swami




COMO É QUE PODEMOS RECONHECER UM JNANI?

Pergunta: Como é que podemos reconhecer um jnani (um sábio autorrealizado)?

Annamalai Swami: Para um buscador espiritual maduro, existe um sintoma principal de estar na presença de um jnani. Se a mente do buscador ficar quieta, sem nenhum esforço da sua parte, essa é uma excelente indicação. Mas isto não é um teste que seja conclusivo para todos. Se um buscador imaturo se sentar na presença de um jnani, a sua mente provavelmente permanecerá ativa como sempre. É muito difícil para as pessoas comuns determinarem quem é e quem não é um jnani. Não existem testes consistentemente confiáveis.

Isto lembra-me de uma história que foi contada por Ramakrishna. Um sadhu (homem santo) estava sentado em samadhi à sombra de uma árvore perto de uma estrada.

Um homem que estava andando pela estrada olhou para o sadhu e pensou: "Ele provavelmente está bêbado". O sadhu estava tremendo um pouco e o transeunte assumiu que era um tremor de um bêbado.

Um outro homem passou, mas a sua linha de pensamento levou-o a uma conclusão completamente  diferente: "Esse homem parece feliz. Ele provavelmente está esperando que a sua namorada venha."

O sol estava se pondo quando o homem seguinte apareceu. Ele viu aquela figura sombria sentada debaixo da árvore e pensou: "Ele pode ser um ladrão. Ele provavelmente está se escondendo debaixo daquela árvore para poder saltar e atacar as pessoas que passam. Vou dar-lhe um bom espaço de distância para o caso de ele se revelar perigoso."

Ele fez um pequeno desvio pelos campos, porque isso o fez se sentir mais seguro.

Pouco depois, um quarto homem apareceu. Ele era um buscador espiritual avançado, e na escuridão crescente, conseguia detetar um halo de luz ao redor da cabeça do sadhu.

"Este deve ser um homem iluminado", ele pensou, e então, ele foi até ele e se prostrou."

As pessoas percebem os jnanis através dos prismas distorcidos das suas mentes. Mais do que isso elas não conseguem fazer. Se você colocar óculos amarelos, tudo aquilo que você verá será colorido de amarelo. Mude a cor das lentes e a cor do que você percebe também muda. O jnani não tem lentes ou prismas que distorçam, obscureçam, fragmentem ou alterem a sua visão. Ele vê tudo como Deus, como o seu próprio Ser.

Pergunta: Como obtemos esta visão desobstruída e não fragmentada?

Annamalai Swami: Bhagavan escreveu no Ulladu Narpadu (Quarenta versos sobre a realidade) que os objetos percebidos são da mesma natureza dos sentidos que os percebem. No estado de vigília, os olhos físicos veem objetos físicos. No estado de sonho, os olhos subtis veem objetos subtis. Além disso, existe o olho do Eu. Como o Eu é infinito e imaterial, aquilo que "vê" é infinito e imaterial. O jnani, sendo o Eu, vê e conhece apenas o Eu.

[Annamalai Swami estava se referindo ao 4º verso: Se você acha que tem forma, o mundo e Deus também parecerão ter forma; se não existe a forma, quem é aquele que vê formas e como? Sem o olho pode-se ver qualquer objeto? O Ser que tudo vê é o Olho, e este olho é o Olho da Eternidade. A explicação deste verso feita por Bhagavan Ramana Maharshi pode ser encontrada em Maha Yoga (1973, p. 72): "Se o olho que vê é o olho da carne, então as formas físicas são vistas; se o olho for acompanhado por lentes, então até coisas invisíveis são vistas como tendo formas; se a mente for esse olho, formas subtis são vistas; assim, o olho que vê e os objetos que são vistos são da mesma natureza; isto é, se o olho é em si mesmo uma forma, não verá nada além de formas. Mas nem o olho físico nem a mente têm qualquer poder de visão por si mesmos. O Olho real é o Eu; como Ele é sem-forma, sendo a Consciência pura e infinita, a Realidade, Ele não vê formas." Annamalai Swami continua com a sua resposta:]

O Eu brilha o tempo todo. Se você não consegue enxergar isso é porque a sua mente o obscureceu ou o fragmentou, você precisa controlar a sua visão. Você tem que parar de observar com o olho da mente, porque esse olho só pode ver o que a mente projeta na frente dele. Se você quiser ver com o olho do Eu, desligue o projetor da mente. O olho infinito do Eu irá então revelar a você que tudo é um e indivisível.

Pergunta: Voltando à questão de como podemos determinar quem é e quem não é um jnani, não podemos chegar a uma conclusão válida estudando a vida e os ensinamentos de um jnani? O seu estado não será de algum modo refletido na vida que ele leva?

Annamalai Swami: Você não pode determinar a resposta para essa pergunta estudando os ensinamentos ou o comportamento de uma pessoa que você acha que pode ser um jnani. Esses não são indicadores confiáveis.

Alguns jnanis podem ficar em silêncio; outros podem falar muito. Alguns estão ativos no mundo; alguns se retiram dele. Algunstornam-se mestres enquanto outros se contentam em ficar resguardados. Alguns se comportam como santos, enquanto outros agem como loucos. A mesma paz pode ser encontrada na presença de todos esses seres, uma vez que essa paz não é afetada por modos de comportamento, e pode não haver quaisquer outros fatores comuns.

Pergunta: Os jnanis devem ter igualdade de visão. Não podemos decidir se alguém pode ser um jnani com base na forma que ele trata as pessoas igualmente ao seu redor ?

Annamalai Swami: os jnanis permanecem absorvidos no Eu em todos os momentos e o seu aparente comportamento é apenas um reflexo das circunstâncias em que se encontram. Alguns podem parecer igualitários. Outros podem não parecer. Eles desempenham os seus papéis, e embora pareçam estar envolvidos neles como se fossem pessoas comuns, eles não são realmente tocados por nenhum dos eventos que ocorrem nas suas vidas. A igualdade de visão pode estar presente, a equanimidade interna pode estar presente, mas não espere que todos os jnanis se comportem de maneira prescritiva e igualitária.

Bhagavan costumava citar o rei Janaka como um exemplo de um jnani que estava totalmente envolvido nos assuntos do mundo. Mas quando o seu palácio pegou fogo e estava queimando, ele era a única pessoa em toda a vizinhança que não estava perturbada.

Nesta mesma história havia um grupo de sadhus que viviam perto do palácio. Quando o fogo começou a se espalhar, eles entraram em pânico e começaram a recolher os seus bastões, os seus potes de água e assim por diante. Eles tinham muito poucos pertences, mas eles ainda eram muito ligados a eles, e eles definitivamente não queriam perdê-los para o fogo. Eles estavam mais preocupados com esses poucos pertences que Janaka estava preocupado com o seu palácio. Janaka viu o seu palácio queimar completamente com total indiferença. Quando você tem esse jnana (conhecimento), a sua paz interior é como uma rocha sólida que não pode ser perturbada.

Ser rico e ser um rei não vai obstruir o jnana (conhecimento). É apenas uma questão de ter a atitude certa. Há uma história no Yoga Vasishta sobre um rei chamado Mahabali. Ele havia perdido o interesse pelo seu reino, pelas suas riquezas e pelos seus prazeres porque desenvolveu um forte desejo por jnana. Ele convocou o seu Guru, Sukacharya para a corte e perguntou o que ele devia fazer para alcançar o jnana. Mahabali acreditava que Sukacharya lhe diria para renunciar ao seu reino e ir para a floresta e meditar.

Em vez disso, Sukacharya disse-lhe: "Eu sou o Eu. Você é o Eu. Tudo é o Eu. Isso é tudo que você precisa saber para atingir esse jnana que você está procurando. Eu não posso lhe dar nenhum ensinamento extenso hoje porque eu tenho que ir e assistir a um encontro dos deuses. De qualquer forma, ensinamentos extensos não são necessários. Apenas lembre-se das palavras que eu lhe contei. Se você puder manter este conhecimento "Eu sou o Eu" em todos os momentos, nenhuma outra prática ou iniciação será necessária."

Existe outra história sobre Janaka que eu gosto. Um homem chamado Sukabrahman pediu a Janaka um aconselhamento espiritual.

- Eu sou um buscador da verdade. - disse ele. - O que é que você me pode dizer?

- O que é que você viu quando veio para cá? - Perguntou Janaka.

- Eu vi casas feitas de açúcar. - respondeu Sukabrahman. - Eu vi ruas feitas de açúcar. Eu vi árvores e flores feitas de açúcar. Eu vi animais feitos de açúcar. Eu vi o seu palácio e vi que ele era feito de açúcar. Tudo o que eu vi era feito de açúcar. Enquanto eu estou aqui, vejo que você é feito de açúcar e que eu também sou feito de açúcar.

- Janaka riu-se e disse:

- Você já é uma alma madura. Você não precisa de nenhum ensinamento. Você já é um jnani.

Pergunta: Algumas pessoas realizam o Eu apenas ouvindo as palavras do Guru. Como isso é possível?

Annamalai Swami: Os discípulos que são espiritualmente muito avançados podem realizar o Eu assim que ouvem a verdade de um Guru iluminado, porque as palavras de tal ser têm um grande poder. Se um discípulo estiver nesse estado avançado, alcançará a sua essência interior e essas palavras lhe revelarão a paz que é a sua verdadeira natureza.

Quando o Guru lhe diz que você já é o Eu, existe um poder e uma autoridade nessas palavras que podem fazer com que elas se tornem a sua própria realidade. Se você for puro e se já estiver maduro o suficiente, mais nenhuma prática será necessária. Uma palavra de um jnani e o estado do jnani também se tornará o seu estado.

Pergunta: Como é que a mente projeta este mundo que eu vejo na minha frente?

Annamalai Swami: Tudo o que vemos neste estado de vigília é um sonho. Estes sonhos são os nossos pensamentos manifestados. Maus pensamentos manifestam sonhos ruins e bons pensamentos manifestam bons sonhos, e se você não tiver pensamentos, você já não sonhará.

Mas, mesmo se você sonhar, você deve entender que o seu sonho é também o Eu. Você não precisa reprimir pensamentos ou estar absolutamente sem pensamentos para permanecer como o Eu. Se você entender que até os seus sonhos de vigília e os seus sonhos durante a noite são o Eu, então os pensamentos e os sonhos que eles produzem poderão continuar. Eles não serão mais um problema para você. Apenas seja o Eu em todos os momentos. Neste estado você saberá que tudo o que aparece para você é apenas um sonho.

Pergunta: O que eu estou tentando dizer é: "Como é que os pensamentos e os desejos criam este mundo em que vivemos?" Não parece possível que tudo isso que vejo possa ser uma manifestação dos meus desejos ocultos.

Annamalai Swami: Imagine que um homem tem que pegar um comboio às 3 da manhã. Ele vai para a cama pensando: "Preciso acordar antes para poder pegar o comboio".

Então, em algum momento durante a noite, ele tem um sonho em que ele acorda às duas e meia. Ele se lembra da viagem de comboio, sai da cama, vai até à estação, embarca no comboio e se senta.

Então ele pensa:

- Eu acordei cedo esta manhã. Estou com sono. Eu vou deitar-me e tirar uma soneca.

Ele estende as pernas e adormece.

Na manhã seguinte, ele acorda às 8 da manhã na sua própria cama em casa e percebe que perdeu o comboio. Toda a sua jornada tinha sido apenas um sonho que havia sido provocada pelo pensamento:

- Preciso acordar antes das 3h da manhã.

O estado de vigília, que você considera real, é apenas um desdobramento do sonho que apareceu para você e se manifestou diante de você por causa de algum desejo ou medo oculto. As suas vasanas (hábitos mentais) germinam e se expandem milagrosamente, criando um mundo de sonhos para você.

Veja tudo como um sonho. Reconheça que é apenas uma expansão dos seus pensamentos. Não perca de vista o Eu, o substrato no qual este vasto e credível sonho é projetado. Se você se apegar ao conhecimento "Eu sou o Eu", você saberá que os sonhos também são o Eu, e você já não se enredará neles.

Pergunta: "Tudo é um", isso pode ser a verdade, mas não se pode tratar tudo igualmente neste mundo. Na vida quotidiana, ainda é preciso discriminar e fazer distinções.

Annamalai Swami: Uma vez eu fui passear perto dos prédios do conselho habitacional [apartamentos do governo que foram construídos na década de 70 a cerca de 300 metros do ashram de Annamalai Swami]. Havia uma vala de esgoto ao lado de um prédio. Eu podia sentir o cheiro do esgoto mesmo estando muito longe. Eu mantive-me longe porque não queria ficar enjoado com o cheiro ruim.

Em circunstâncias como essas, você não diz: "tudo é um." O conhecimento "tudo é o Eu" pode estar sempre presente, mas isso não significa que você tenha que se colocar em lugares perigosos ou pouco saudáveis.

Quando você se torna um com o Eu, um grande poder o toma e executa a sua vida por você. Cuida do seu corpo; coloca você no lugar certo na hora certa; faz você dizer as coisas certas para as pessoas que você encontra. Este poder conduz você tão completamente, que você não tem mais a capacidade de decidir ou discriminar. O ego que pensa "devo fazer isso" ou "não devo fazer isso" não existe mais. O Eu simplesmente o anima e faz com que você faça todas as coisas que precisam ser feitas.

Se você não estiver neste estado, use a sua discriminação com sabedoria. Você pode optar por se sentar num jardim de flores e apreciar o aroma das flores, ou você pode ir até à vala de que falei e ficar doente por inalar a fumaça lá.

Então, enquanto você ainda tem um ego, e o poder da discriminação que o acompanha, use-o para inalar a fragrância que você encontra na presença de um ser iluminado. Se você passar algum tempo nas proximidades de um jnani, a paz dele penetrará em você de tal maneira que você se encontrará num estado de paz. Se, em vez disso, você optar por passar todo o seu tempo com pessoas cujas mentes estão sempre cheias de pensamentos maus, a sua energia mental e as suas vibrações começarão a penetrar em você.

Eu digo-lhe regularmente: "Você é o Eu". Tudo é o Eu." Se esta não é sua experiência, fingir que "tudo é um" pode-lhe causar problemas. O Advaita pode ser a última experiência, mas não é algo que uma mente que ainda veja distinções possa praticar.

A eletricidade é uma forma útil de energia, mas também é potencialmente prejudicial. Use-a com sabedoria. Não coloque o dedo na tomada, pensando "tudo é um". Você precisa de um corpo em bom estado de funcionamento para realizar o Eu. Realizar o Eu é a única atividade útil e digna nesta vida, portanto, mantenha o corpo em bom estado até que esse objetivo seja alcançado. Depois, o Eu cuidará de tudo e você não precisará mais se preocupar com nada. Na verdade, você não conseguirá se preocupar porque a mente que anteriormente criou a preocupação, a escolha e a discriminação não estará mais presente. Nesse estado você não vai precisar nem vai sentir a falta de nada.

Pergunta: Qual deve ser a atitude certa quando nos sentamos na presença de um jnani?

Annamalai Swami: Apenas fique quieto. Faça contacto com o silêncio do Eu interior. Esta é a maneira de fazer contacto com o seu Guru, e é também a melhor atitude a ter quando você está sentado na sua presença.

Pergunta: Eu entendo. Este é também o meu sentimento interior, a minha própria crença do que eu preciso fazer. Mas sabendo que não produz os resultados desejados. Eu sei que posso fazer contacto com o meu verdadeiro Guru permanecendo como o Eu interior, mas isso raramente acontece. Eu não posso permanecer nesse estado o tempo todo. E quando estou fora desse estado, eu estou bem ciente da separação. Então, quando eu sinto essa separação, sinto a necessidade de estar na presença física do Guru. O conselho, "Volte para o Eu interior" não é tão atraente, porque eu sei que não posso fazê-lo.

Annamalai Swami: Quem está sentindo a separação? Quem está separado de quem? Faça a si mesmo essa pergunta sempre que esses pensamentos surgirem.

Eu lembro-me de um devoto que se apegou muito aos pés de Bhagavan Ramana Maharshi. Ele tocava nos seus pés e tentava segurá-los por um longo tempo.

Um dia Bhagavan disse a ele: "Não se apegue aos pés, porque um dia eles vão desaparecer. Se você está tão apegado às coisas físicas, quando elas partirem, você ficará deprimido e se sentirá miserável. Segure-se ao Eu interior. Esses são os verdadeiros pés do Guru. Ele nunca se irá embora porque é eterno. O Eu habita dentro de você como o seu Guru. Cabe a você encontrá-lo lá e permanecer com ele.

A luz do Eu não pode ser extinta. É eterna e imanente. Não é como as luzes comuns que podem ser ligadas e desligadas. Uma vez que seja descoberto no nosso interior, essa luz estará acesa durante todo o tempo."

[O incidente que Annamalai Swami relatou também parece ter sido registado por Sadhu Natanananda no seu livro escrito em Tamil, Sri Ramana Darshanam. Numa secção sobre devotos que queriam ajoelhar-se aos pés do Guru ou mostrar respeito excessivo a ele, registou duas declarações enfáticas que Bhagavan fez: a primeira para um devoto que estava segurando os seus pés, e a segunda para um outro devoto que estava fazendo uma prostração excessivamente elaborada:

"Somente o Eu Supremo que está sempre brilhando no seu Coração como a Realidade é o Sadguru. A consciência pura, que está brilhando como a iluminação interior "Eu", são os Seus pés graciosos. Só o contacto com esses [os pés sagrados interiores] podem lhe dar a verdadeira redenção.

Unindo o olho da consciência refletida, chitabhasay, que é o seu senso de individualidade, com esses pés sagrados, que são a consciência pura e real, realizará a união dos pés e da cabeça, que é o significado real da palavra asi [tat tvam asi, "tu és Aquilo"]. Como esses pés sagrados interiores podem ser mantidos natural e incessantemente, a partir de agora, com uma mente voltada para o interior, agarre-se à consciência interior que é a sua própria natureza real. Somente este é o caminho apropriado para a remoção da servidão e para a obtenção da verdade suprema.

O benefício de realizar namaskaram [prostrar-se] ao Guru é apenas (um preparativo) para a remoção do ego. Mas isso não será alcançado exceto pela entrega total. Dentro do Coração de cada devoto, o gracioso Guru está (constantemente) dando o darshan (bênção através do olhar [presença].) na forma da consciência. Uma vez que a rendição é oferecer completamente, e em silêncio, o ego, que é somente um pensamento de nome e forma, ao aham sphurana [ao esplendor do "Eu"], aos verdadeiros pés sagrados do gracioso Guru. Visto que isto é assim, a autorrealização não pode ser alcançada pela mera inclinação do corpo, mas apenas pela rendição total do ego."]


Annamalai Swami

Tradução de livre de Annamalai Swami, "Final talks" (5), edited by David Godman
("Os ensinamentos finais de Annamalai Swami", editado por David Godman)

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