Upadesa Saram - A Essência do Ensinamento Espiritual


Arunachala

O Senhor Shiva disse:

"Aquilo que não pode ser alcançado sem grande sofrimento - a verdadeira importância do Vedanta (A Autorrealização) - pode ser alcançado por aquele que olha para Arunachala, de onde ela seja visível, ou mentalmente, por quem pensa nela ao longe".

"Eu, o Senhor, ordeno que aqueles que residem dentro de um raio de três yojanas (antiga medida de distância Védica; três yojanas correspondem a 45 quilómetros) deste lugar (Arunachala) devem alcançar a união (com o Supremo) removendo assim a escravidão, mesmo na ausência de iniciação, etc. "

A ESSÊNCIA DO ENSINAMENTO ESPIRITUAL

(UPADESA SARAM)

de BHAGAVAN RAMANA MAHARSHI

(Tradução livre de Andrês M. De Nuccio)


Verso 1

Os resultados das ações são obtidos conforme as leis do Senhor.
Então, como a ação poderia ser o fator determinante?
Não o é, pois a ação é dependente.

Verso 2

No vasto oceano das ações
a ignorância de que os resultados são impermanentes
Causa a queda do homem
e constitui uma barreira para o progresso.

Verso 3

As ações que se realizam com uma atitude de oferenda ao Senhor,
Sem apego a resultados específicos,
purificam a mente
e são um meio para obter a libertação.

Verso 4

Essas ações chamam-se
Puja quando realizadas com o corpo
Japa quando realizadas com a palavra
e Dhyana quando realizadas com a mente.

Verso 5

Servir ao mundo
com a atitude de servir ao Senhor
é o Puja superior.

Verso 6

Pronunciar as glórias do Senhor é bom.
Melhor é o Japa em voz alta.
Melhor ainda é o Japa feito em voz baixa.
E o japa feito mentalmente é o superior.

Verso 7

Dhyana, a contemplação contínua do Senhor,
semelhante ao fluxo de um rio e a um fio de óleo,
é superior à contemplação intermitente.

Verso 8

A contemplação da unidade,
onde "Aquilo sou eu"
é superior à contemplação dual,
onde "eu sou diferente do Senhor.

Verso 9

Aprimorando a compreensão da unidade
consegue-se uma firme permanência no Estado Original.
E esse fortalecimento do pensamento "Aquilo sou eu"
constitui a devoção suprema.

Verso 10

A meta do yoga da ação, do yoga da devoção,
do ashtanga yoga e do yoga do conhecimento é a mesma:
a permanência da mente no coração,
em outras palavras, a permanência em nossa própria natureza.

Verso 11

Mediante o controle da respiração
é possível controlar a mente.
Este método de conter a mente
é semelhante a uma rede
que se utiliza para capturar um pássaro

Verso 12

A mente e o prana estão dotados com a capacidade de
conhecer e atuar, respetivamente.
Estes são os dois ramos do poder único do Senhor.

Verso 13

Há duas formas de controle da mente:
laya, absorção e vinasa, destruição.
A mente absorta retorna,
a mente aniquilada, não.

Verso 14

A mente que consegue absorver-se
mediante o controle da respiração,
fica aniquilada pela contemplação da Realidade Una.

Verso 15

Existe algum dever para o elevado yogui
cuja mente foi aniquilada?
Nenhum, pois há conseguido se centrar no Eu.

Verso 16

A mente retirada dos objetos
ganha a apreciação da própria natureza real
como Consciência.
Tal é a visão da Realidade ou Realização do Ser.

Verso 17

Ao indagar a respeito da natureza da mente
encontramos que não nada real chamado "mente".
Este sendero é direto e imediato.

Verso 18

Os pensamentos constituem a mente
todos os pensamentos dependem do pensamento "eu" (ego).
Portanto a mente é o eu (ego).

Verso 19

Para aquele que indaga:
De onde surge o pensamento "eu"?
a noção de eu (ego) cai.
Isto é vicara, autoindagação.

Verso 20

Quando a noção de eu (ego) é destruída,
a existência plena e ilimitada que é o Eu
brilha autoefulgente como Eu, Eu...

Verso 21

Mesmo quando o ego desaparece diariamente (no sono)
permanece o Eu na forma de Existência Indestrutível.
Esta consciência "Eu" é o real significado da palavra "eu".

Verso 22

Eu não sou o corpo, os órgãos dos sentidos,
as funções fisiológicas, a mente ou a ignorância.
Isso tudo é inerte e portanto irreal.
Eu sou a Existência Una, Não-dual

Verso 23

Onde há uma outra consciência para iluminar a existência?
A Consciência está na forma de existência (Eu)
e a existência (Eu) está na forma de Consciência

Verso 24

Desde o ponto de vista dos condicionamentos
existe diferença entre Jiva (alma individual) e Ishvara (Deus "pessoal")
Mas desde o ponto de vista da natureza essencial (Sat)
Só existe uma realidade suprema.

Verso 25

Ao remover esses condicionamentos
aprecia-se o próprio Ser livre de toda a limitação,
e essa visão do Ser é a realização de Deus
como a própria natureza essencial.

Verso 26

A visão do próprio Ser
é a firme permanência da mente no Eu.
Devido à não-dualidade do Ser,
essa permanência não requer qualquer esforço.

Verso 27

A consciência é conhecimento.
Mas um conhecimento livre do conhecimento e da ignorância
dos objetos e de si mesmo
Há algum conhecimento diferente
da consciência para conhecer o Eu?

Verso 28

"Qual é minha natureza essencial?"
Indagando desse modo ganhamos conhecimento do Eu
e chegamos a saber: "sou consciência-bem-aventurada
plena, sem começo ou declínio".

Verso 29

A ilimitada felicidade (que é o Eu)
está além da escravidão e libertação.
O indivíduo com divinas qualidades
a atinge como resultado do ensinamento.

Verso 30

A destruição do ego
como resultado da autoindagação
é o máximo Tapas capaz de revelar o Eu.
Estas são as palavras de Ramana.


Sri Ramana maharshi

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