O Imitador




Após uma sessão de meditação, o guia espiritual e os seus discípulos saíram para dar um passeio. Caminhavam há um bom bocado quando, de súbito, o mestre pegou num ramo e perguntou a um deles:
- O que tenho nas mãos?
O discípulo disse:
- Quero vê-lo bem. Empreste-me.
Pegou no ramo e bateu com ele no mestre.
Respondeste corretamente - disse o mestre. - Parabéns!


O IMITADOR

Era um mestre que quando alguém lhe perguntava pela Realidade, se limitava a levantar o dedo indicador no ar, sem pronunciar palavra. Desse modo evitava perder-se em abstrações inúteis. Durante semanas, um dos seus discípulos observou a estranha resposta do preceptor. Um dia, um visitante foi à comunidade e perguntou ao discípulo o que era a Realidade. O discípulo, como resposta, ergueu o dedo no ar. Mas o mestre, que estava por perto, viu-o. Chamou-o e perguntou-lhe:

- O que é a Realidade?

Rapidamente o discípulo levantou o dedo no ar. Subitamente, o mestre cortou-o com uma espada. Quase a desmaiar de dor, o discípulo desatou a correr, mas o mestre gritou:

- Pára imediatamente! anda cá!

O discípulo regressou junto do mestre, que lhe perguntou:

- O que é a Realidade?

Ao tentar repetir o gesto, visto que já não tinha o dedo, o jovem encontrou-se com o vazio. Nesse momento, alcançou a compreensão profunda e a libertação suprema.

(Copiamos, somos imitadores insubstanciais. Não há beleza, nem criatividade, nem espírito na imitação e, além do mais, a mesma condena-nos à mediocridade e aos hábitos. Imitamos doutrinas, padrões, tendências e modas. Deixamo-nos condicionar pelos objetos imitados e perdemos a nossa própria capacidade de ser, que é a perda e a ausência mais terrível que pode haver.)



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Ramiro Calle

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