O Conhecimento e o Saber




"Saber significa ficar em silêncio, completamente
em silêncio,
então você pode ouvir a voz baixa e calma do
seu íntimo.
Saber significa deixar a mente de lado.
Quando você esta absolutamente calmo, sem se
mover, nada se agita em você,
as portas se abrem.
Você faz parte dessa existência misteriosa.
Você a conhece tornando-se parte dela,
tornando-se um participante dela.
Isso é saber." - Osho


O CONHECIMENTO E O SABER

Qual é a diferença entre conhecimento e saber? Não existe diferença no dicionário, mas na vida existe uma enorme diferença. O conhecimento é uma teoria, o saber é uma experiência. Saber significa você abrir os seus olhos e ver, conhecimento significa que alguém abriu os olhos, viu e comenta a respeito, e você simplesmente continua reunindo as informações. O conhecimento é possível até mesmo se você for cego. O conhecimento é possível... sem olhos você pode aprender muitas coisas sobre a luz, mas saber não é possível se você for cego. Saber é possível apenas se os seus olhos estiverem saudáveis, sadios, se você puder ver. Saber é autenticamente uma experiência sua, o conhecimento é postiço, falso. O conhecimento é uma praga, uma calamidade, um câncer.

É por meio do conhecimento que o homem se torna separado do todo — o conhecimento cria a distância. Você encontra uma flor silvestre na montanha e não sabe o que ela é; a sua mente não tem nada a dizer sobre ela, a mente é silenciosa. Você observa a flor, vê a flor, mas nenhum conhecimento se manifesta em você — existe a admiração, existe o mistério. A flor está ali, você está ali. Pela admiração, vocês não estão separados, vocês estão ligados. Mas se você souber que aquela flor é uma rosa, um cravo ou outra qualquer, esse próprio conhecimento separa você. A flor está ali, você está aqui, mas não há uma ligação — você "conhece". O conhecimento cria uma distância.

Quanto mais você conhece, maior a distância; quanto menos você conhece, menor a distância. E se você estiver num momento de não conhecer, não existe distância; vocês estão próximos.

Você se apaixona por uma mulher ou por um homem — no dia em que você se apaixona, não existe distância. Existe apenas admiração, uma emoção, uma excitação, um êxtase — mas não conhecimento. Você não sabe quem é aquela pessoa. Sem o conhecimento não existe nada para separá-los; daí a beleza daqueles primeiros momentos de amor. Depois que você viveu junto com a pessoa — por vinte e quatro horas apenas — o conhecimento se formou. Então você tem algumas ideias sobre a pessoa; você sabe quem ela é, existe uma imagem. Vinte e quatro horas criaram um passado; aquelas vinte e quatro horas deixaram marcas na mente.

Você observa a mesma pessoa e não há mais o mesmo mistério.

Você está descendo a montanha, aquele pico ficou para trás.

Entender isso é entender muito. Entender que o conhecimento separa, o conhecimento produz uma distância, é entender o verdadeiro segredo da meditação.

A meditação ê um estado de não conhecer. A meditação é espaço puro, não perturbado pelo conhecimento. Sim, a história bíblica é verdadeira — aquele homem caiu por causa do conhecimento, ao comer o fruto da árvore do conhecimento.

Nenhuma outra escritura do mundo ultrapassa essa. Essa parábola é a última palavra; nenhuma outra parábola atingiu um ponto mais alto do que essa compreensão. Parece tão ilógico que o homem tenha caído pelo conhecimento. Parece ilógico porque a lógica faz parte do conhecimento! A lógica é tudo que sustenta o conhecimento — parece ilógico porque a lógica é a causa profunda da queda do homem.

Um homem que seja absolutamente lógico — absolutamente razoável, sempre sensato, que nunca permite nada ilógico na sua vida — é um louco. A sanidade mental precisa ser equilibrada pela insanidade; a lógica precisa ser equilibrada pela ilógica. Os opostos se tocam e se equilibram. Um homem que seja apenas racional é irracional — ele perde muito. Na verdade, ele continua perdendo tudo o que é bonito e tudo o que é verdadeiro. Ele coleta coisas triviais, a sua vida é uma vida mundana. Ele é um homem mundano.

Essa parábola bíblica é de uma compreensão imensa. Por que terá o homem caído pelo conhecimento? Porque o conhecimento distancia, porque o conhecimento cria um "eu e tu", porque o conhecimento cria um sujeito e um objeto, o conhecedor e o conhecido, o observador e o observado. O conhecimento é basicamente esquizofrénico; ele cria uma separação e então não há maneira de unir ou ligar as partes.

É por isso que quanto mais o homem torna-se culto, menos ele é religioso. Quanto mais instruído um homem, menor a possibilidade dele se aproximar do todo. Jesus está certo quando diz; "Apenas as crianças serão capazes de entrar no meu reino."

Apenas as crianças... qual é a característica que uma criança tem e você perdeu? A criança tem a característica do não-conhecimento, a inocência. Ela olha com assombro, admiração, os seus olhos são absolutamente limpos, puros. Ela olha fundo, mas não tem preconceitos, não faz julgamentos, não tem ideias a priori. Ela não projeta; daí ela vir a saber aquilo que é. A criança conhece a verdade, você conhece apenas a realidade mundana. A realidade é essa que você criou ao seu redor ao projetar, desejar, pensar. A realidade é a sua interpretação da verdade.

A verdade é simplesmente aquilo que é; a realidade é o que você veio a entender — é a sua ideia da verdade. A realidade consiste de coisas, todas separadas. A verdade consiste de apenas uma energia cósmica. A verdade consiste de unidade, a realidade consiste de quantidade. A realidade é uma multidão, a verdade é integração.

J. Krishnamurti disse: "Negar é silenciar." Negar o quê?

Negar o conhecimento, negar a mente, negar essa constante ocupação do seu interior... criar um espaço desocupado. Quando você está desocupado, está sintonizado com o todo. Quando está ocupado, você saiu da sintonia. Dai, sempre que acontece de você poder manter um momento de silêncio, existe uma imensa alegria.

Nesse momento, a vida tem significância, nesse momento a vida tem uma grandeza além das palavras. Nesse momento a vida é uma dança. Nesse momento, se até mesmo a morte vier, ela será uma dança e uma celebração, porque esse momento não conhece nada além da alegria. Esse momento é alegre, é feliz.

O conhecimento tem de ser negado — mas não porque estou dizendo isso, ou porque J. Krishnamurti o disse, ou porque Gautama Buda disse. Se você nega porque estou dizendo, então você vai negar o seu conhecimento e tudo o que eu estou dizendo irá se tornar o seu conhecimento no lugar disso; você vai substituir isso. Então, tudo o que eu disser se tornará o seu conhecimento e você vai começar a se apegar a isso. Você abre mão dos seus antigos ídolos e os substitui pelos novos, mas é o mesmo jogo praticado com palavras novas, ideias novas, pensamentos novos.

Então, como negar o conhecimento? Não com outro conhecimento. Apenas entender o fato de que o conhecimento cria uma distância — apenas entender esse fato intensamente, totalmente — é suficiente. Não que você tenha de repor esse conhecimento com outra coisa.

Essa intensidade é como o fogo, essa intensidade reduzirá o seu conhecimento a cinzas. Essa intensidade é suficiente. Essa intensidade é conhecida como compreensão. A compreensão queimará o seu conhecimento e ele não será substituído por outro conhecimento. Então fica o vazio, shunyata. Então resta a nulidade, porque então não existe conteúdo: existe a verdade não perturbada, não distorcida.

Você tem de ver o que estou dizendo; não é para você aprender o que estou dizendo. Atenção, ouça-me, não comece a reunir conhecimento. Atenção, não comece a acumular. Ouvir-me deve ser uma experiência de perceção. Você deve ouvir com intensidade, com totalidade, com o máximo de compreensão que lhe for possível. Nessa própria compreensão você entenderá a questão e essa própria visualização é transformação. Não que você tenha de fazer algo mais depois disso; a visualização em si provoca a mutação.

Se for necessário fazer algum esforço, isso simplesmente mostra que você deixou de entender. Se você amanhã me perguntar:

"Eu entendi que aquele conhecimento é uma maldição, que aquele conhecimento produz distância. Bem, como abro mão dele?" — então você não entendeu. Se o "como" aparecer, então você não entendeu. O "como" não pode aparecer, porque o "como" é pedir mais conhecimento. O "como" é pedir métodos, técnicas, o que deve ser feito.

A perceção é suficiente; ela não precisa ser ajudada por nenhum esforço adicional. O fogo dela é mais do que suficiente para queimar todo o conhecimento que você carrega interiormente.

Apenas entenda a questão.

Ouça o que estou dizendo, me acompanhe. Ouça o que estou dizendo, segure a minha mão e avance para os espaços que estou tentando ajudar você a avançar, e entenda o que estou dizendo. Não questione — não diga sim, não diga não; não concorde, não discorde. Apenas me acompanhe nesse momento — e de repente a perceção acontece. Se você estiver ouvindo com atenção... e com atenção não quero dizer concentração; com atenção estou apenas querendo dizer ouvir com compreensão, não com a mente insensível; você vai ouvir com inteligência, com vivacidade, com abertura. Você está aqui, agora, comigo — é isso que eu quero dizer com atenção. Você não está em nenhum outro lugar. Não está comparando mentalmente o que estou dizendo com os seus antigos pensamentos. Você não está comparando nada, não está julgando.

Você não está julgando interiormente, dentro de você, se o que estou dizendo é certo ou não, ou até que ponto é certo.




Ainda outro dia eu estava conversando com um buscador.

Ele tinha a característica de um buscador, mas estava carregado de conhecimento. Enquanto eu falava com ele, os olhos dele encheram-se de lágrimas. O coração dele estava apenas se abrindo e naquele exato instante a mente chegou e destruiu toda a beleza do momento.

Ele estava apenas seguindo o coração e se abrindo, mas imediatamente a mente apareceu. Aquelas lágrimas que estavam a ponto de correr desapareceram. Os olhos dele ficaram secos. O que havia acontecido? — eu disse alguma coisa com que ele não podia concordar.

Ele estava concordando comigo, até certo ponto. Então, eu disse alguma coisa que ia contra os antecedentes judaicos dele, que ia contra a Cabala, e imediatamente toda a energia mudou. Ele disse:

— Está tudo certo. Tudo o que você diz está certo, mas essa coisa aí... Isso de Deus não ter sentido, de que a vida existe sem um propósito... com isso eu não posso concordar. Porque a Cabala diz exatamente o contrário: que a vida tem um sentido, que Deus tem sentido, que ele está nos guiando para um determinado destino, que existe um destino.

Pode ser que ele nem ao menos tenha reparado — que ele deixou de entender naquele momento porque ocorreu-lhe a comparação. O que a Cabala tem que ver comigo? Quando você estiver comigo, afaste todo o seu conhecimento sobre a Cabala, a Yoga, o Tantra, sobre isso e aquilo. Quando você estiver comigo, esteja comigo. E não estou dizendo que você deva concordar comigo, lembre-se — não se trata de uma questão de concordar ou discordar.

Quando você vê uma rosa, você concorda com ela ou discorda dela? Quando você vê o sol nascer, você concorda ou discorda? Quando você vê a lua no céu noturno, você simplesmente a vê! Quer você a veja, quer não veja, não se trata de uma questão de concordar ou discordar.

Não estou tentando convencer você de nada. Não estou tentando converter você a uma determinada teoria, filosofia, dogma, a alguma igreja, não. Estou simplesmente compartilhando o que aconteceu comigo e nesse próprio compartilhar, se você participar, pode acontecer o mesmo com você também. É contagioso.

A compreensão transforma.

Quando estou dizendo que o conhecimento é uma maldição, você pode concordar ou discordar — e você não entendeu! Você deve apenas ouvir, apenas entender, entrar no processo inteiro do conhecimento. Você pode ver como o conhecimento produz uma distância, como o conhecimento se torna uma barreira. Como o conhecimento se interpõe, como o conhecimento aumenta e, na mesma medida, também a distância aumenta. Como a inocência se perde por intermédio do conhecimento, como a admiração se destrói, é mutilada, assassinada pelo conhecimento, como a vida se torna uma coisa insípida e aborrecida pelo conhecimento. O mistério se perde. O mistério desaparece porque você começa a ter a ideia de que conhece. Quando você conhece, como pode haver mistério? O mistério é possível apenas quando você não conhece.

E lembre-se, o homem não aprendeu nada! Tudo o que acumulamos é apenas lixo, uma bobagem. O que é definitivo, supremo, eterno permanece além do nosso alcance. O que conseguimos reunir são apenas fatos, a verdade permanece intocada pelo nosso esforço. E essa é a experiência não só de Buda, Krishna, Krishnamurti e Ramana; essa é a experiência até mesmo de Edison, Newton, Albert Einstein. Essa é a experiência de poetas, pintores, dançarinos. Todas as grandes inteligências do mundo — sejam elas de místicos, de poetas, de cientistas — estão absolutamente de acordo em apenas uma coisa: que quanto mais conhecemos, mais entendemos que a vida é um mistério absoluto. O nosso conhecimento não destrói esse mistério.

Apenas as pessoas estúpidas pensam que porque elas conhecem um pouquinho, então não existe mais mistério na vida.

Apenas a mente medíocre se torna tão apegada ao conhecimento; a mente inteligente permanece acima do conhecimento. Ela usa o conhecimento, com certeza o usa — ele é útil, é utilitário — mas sabe perfeitamente bem que tudo o que é verdade está oculto, permanece oculto. Podemos continuar conhecendo, conhecendo, mas o mistério permanece inexaurível.

Ouça com atenção, com compreensão, plenamente. E na própria visão você vai entender alguma coisa, E isso que entender vai mudar você — e não pergunte como. É esse o significado quando Krishnamurti diz: "Negar é silenciar." A compreensão nega.

E quando algo é negado, nada é colocado em seu lugar. Algo foi destruído e nada foi colocado em seu lugar. Existe o silêncio, porque existe espaço. Existe silêncio, porque o antigo foi jogado fora e o novo não chegou. Esse silêncio, Buda chama de shunyata. Esse silêncio é vazio, nada. E apenas esse nada age no universo da verdade.

O pensamento não pode agir lá. O pensamento trabalha apenas no mundo das coisas, porque o pensamento é também uma coisa — subtil, mas também é algo material. É por isso que o pensamento pode ser registado, é por isso que o pensamento pode ser substituído, transmitido. Eu posso lançar um pensamento a você; e você pode retê-lo, pode tê-lo para si. Ele pode ser tido e dado, é transferível porque é uma coisa. Ele é um fenómeno material.

O vazio não pode ser dado, o vazio não pode ser lançado a você. Você pode participar dele, pode mover-se nele, mas ninguém pode dá-lo a você. Ele é intransferível. E apenas o vazio atua no mundo da verdade.

A verdade e conhecida apenas quando a mente não é. Para conhecer a verdade, a mente tem de cessar; ela tem de parar de funcionar. Ela tem de ficar quieta, parada, imóvel.

O pensamento não pode ocorrer na verdade, mas a verdade pode atuar através dos pensamentos. Você não pode se apreender a verdade pelo pensamento, mas quando tiver apreendido a verdade então poderá usar o pensamento a serviço dela. E o que estou fazendo, é o que Buda fez, é o que todos os mestres fizeram. O que estou dizendo é um pensamento, mas por trás desse pensamento está o vazio. Esse vazio não foi produzido pelo pensamento, esse vazio está além do pensamento. O pensamento não pode tocá-lo, o pensamento não pode nem sequer olhá-lo.

Você já observou um fenómeno: que você não pode pensar sobre o vazio, você não pode fazer do vazio um pensamento? Você não pode pensar nele, ele é impensável. Se você puder pensar nele, ele não será mais o vazio. O pensamento tem de sair para o vazio aparecer; eles nunca se encontram. Depois que o vazio veio, ele pode usar todos os tipos de instrumentos para se expressar.

A compreensão é um estado de não-pensamento. Sempre que você vê alguma coisa, você sempre vê quando não existe pensamento. Aqui também, ouvindo-me, estando comigo, às vezes você vê — mas esses momentos são lacunas, intervalos. Um pensamento se foi, outro não veio, e ocorre uma lacuna; e nessa lacuna algo se manifesta, algo começa a vibrar. É como alguém tocando um tambor — o tambor está vazio por dentro; é por isso que ele pode ser tocado. Esse vazio vibra. Esse belo som que surge é produzido a partir do vazio. Quando você é, sem um pensamento, então algo é possível, imediatamente possível. Então você pode entender o que eu estou dizendo. Então não será apenas uma palavra ouvida, então ela se tornará uma intuição, uma revelação, uma visão. Você a entendeu, você a compartilhou comigo.

A compreensão é um estado de não pensar, não-pensamento.

É uma lacuna, um intervalo no processo do pensamento, e nessa lacuna está o vislumbre, a verdade.

A palavra inglesa empty (vazio) deriva de uma raiz que significa "de folga", desocupado. É uma palavra bonita se você for até a raiz. A raiz é muito fecunda: ela significa de folga, desocupado. Sempre que você estiver desocupado, de folga, você estará vazio. E lembre-se, o provérbio que diz que a mente vazia é um instrumento do diabo é simplesmente um absurdo. Exatamente o oposto da verdade: a mente ocupada é um instrumento do diabo!

A mente vazia é um instrumento de Deus, não do diabo. Mas você tem de entender o que eu quero dizer com "vazio" — de folga, relaxado, não-tenso, sem movimento, sem desejar, sem ir a lugar nenhum, apenas ficando aqui, inteiramente aqui. Uma mente vazia é uma presença pura. E tudo é possível nessa presença pura, porque toda a existência deriva da presença pura.

Essas árvores crescem a partir dessa presença pura, essas estrelas nascem dessa presença pura; nós estamos aqui — todos os budas saíram dessa presença pura. Nessa presença pura você está em Deus, você é Deus. Ocupado, você cai; ocupado, você tem de ser expelido do Jardim do Éden. Desocupado, você está de volta ao Jardim; desocupado, você está de volta ao lar.

Quando a mente não está ocupada com a realidade — com as coisas, com os pensamentos — então existe aquilo que é. E aquilo que é, é a verdade. Apenas no vazio existe uma reunião, uma fusão.

Apenas no vazio você se abre para a verdade e a verdade entra em você. Apenas no vazio você se torna fecundo com a verdade.

Existem três estados da mente. O primeiro é o do conteúdo e da consciência. Você sempre tem conteúdos na mente — um pensamento vindo, um desejo surgindo, raiva, cobiça, ambição.

Você sempre tem algum conteúdo na mente; a mente nunca está desocupada. O tráfego continua, dia após dia. Quando você está desperto ele está lá, quando você está dormindo ele está lá. Quando desperto você o chama de pensamento, quando está dormindo você o chama de sonho — é o mesmo processo. Sonhar é um pouco mais primitivo, só isso — porque nesse caso o pensamento se dá por imagens. Ele não usa conceitos, usa imagens. É mais primitivo; assim como as crianças pequenas pensam por meio de imagens.

Assim, os livros infantis precisam conter imagens grandes, coloridas, porque a mente infantil pensa por meio de imagens. Por meio de imagens as crianças aprendem as palavras. Pouco a pouco, aquelas imagens tornam-se cada vez menores, e então desaparecem.

O homem primitivo também pensava por imagens. As línguas mais antigas eram línguas pictóricas. O chinês é uma língua pictórica: o chinês não tem alfabeto. É a língua mais antiga. À noite, você volta a se tornar primitivo, esquece a sua sofisticação diurna e começa a pensar por imagens — mas é a mesma coisa.

E a compreensão psicanalítica é valiosa — uma vez que ela entende os seus sonhos. Então existe mais verdade, porque você é mais primitivo; você não está tentando enganar ninguém, você é mais autêntico. Durante o dia você tem uma personalidade ao seu redor que o esconde — camadas sobre camadas de personalidade. É muito difícil descobrir o homem verdadeiro. Você tem de cavar fundo, e isso dói, e o homem resiste. Mas durante a noite, assim que você põe as suas roupas de lado, também está pondo a sua personalidade de lado. Ela não é necessária porque você não vai se comunicar com ninguém, você estará sozinho na sua cama. E, você não estará no mundo, estará absolutamente no seu mundo particular. Não há necessidade de se esconder nem necessidade de fingir. É por isso que o psicanalista tenta entender os seus sonhos, porque eles mostram muito mais claramente quem você é. Mas é o mesmo jogo praticado em diferentes linguagens; o jogo não é diferente. Esse é o estado comum da mente: mente e conteúdo, consciência mais conteúdo.

O segundo estado da mente é a consciência sem conteúdo; é o que é a meditação. Você está inteiramente desperto, e existe uma lacuna, um intervalo. Não se encontra nenhum pensamento, não existe pensamento diante de você. Você não está dormindo, você está acordado — mas não existem pensamentos. Isso é meditação. O primeiro estado é chamado mente, o segundo estado é chamado meditação.

E então existe o terceiro estado. Quando o conteúdo desapareceu, o objeto desapareceu, o sujeito não pode permanecer por muito tempo — porque eles existem juntos. Eles produziram um ao outro. Quando o sujeito está sozinho, ele só pode existir um pouco mais, apenas com o impulso do passado. Sem o conteúdo, a consciência não pode existir por muito tempo; ela não será necessária, porque a consciência é sempre a consciência sobre alguma coisa. Quando você diz "consciente" pode-se perguntar: "de quê?" Você diz: "Estou consciente de..." Esse objeto é necessário, é uma necessidade para a existência do sujeito. Se o objeto desaparecer, logo o sujeito vai desaparecer também. Primeiro vai o conteúdo, depois a consciência desaparece.

Então o terceiro estado é chamado samadhi — sem conteúdo, sem consciência. Mas lembre-se de que essa ausência de conteúdo e de consciência não é um estado de inconsciência. É um estado de superconsciência, de consciência transcendental. A consciência então é apenas consciente de si mesma. A consciência se voltou para si mesma; o circulo está completo. Você tem de voltar para casa.

Esse é o terceiro estado, samadhi; e esse terceiro estado é o que Buda chama de shunyata.

Primeiro abandone o conteúdo — você se torna vazio pela metade. Depois abandone a consciência — você se torna inteiramente vazio. E esse vazio por completo é a coisa mais linda, a maior bênção que pode lhe acontecer.
Osho


Lucy 

Atravessando o continuum do espaço-tempo:

https://www.youtube.com/watch?v=LWG3aFFhg8k

Citação: Osho
A Diferença entre Conhecimento e Saber: Osho
Intuição
O Saber Além da Lógica
Fotografias do filme Lucy
(2014), De Luc Besson, com Scarlett Johansson

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