Alexandre, o Grande e Diógenes


"Diógenes nada tinha, nem mesmo uma tijela de esmolas, porque um dia ele estava indo para o rio com sua tijela de esmolas para beber água quando viu um cachorro correndo para o rio.
O cachorro pulou no rio e bebeu.
Então Diógenes riu e pensou:
“Esse cachorro me ensinou algo. Se ele pode viver sem um prato de esmolas, porque também não posso?”
Então desfez-se da sua tijela de esmolas e fez como o cachorro: pulou no rio e começou a beber.
Desde então não teve mais nada." - Osho
DIÓGENES

Diógenes de Sínope (Sínope era uma antiga colónia Grega, atualmente, Turquia)

(Sínope, 404 ou 412 a.C. – Corinto, c. 323 a.C.), também conhecido como Diógenes, o Cínico, foi um filósofo da Grécia Antiga. Viveu em Atenas na Grécia. Os detalhes de sua vida são conhecidos através de anedotas (chreia), especialmente as reunidas por Diógenes Laércio em sua obra Vidas e Opiniões de Filósofos Eminentes.

Diógenes de Sínope foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude; diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Eventualmente se estabeleceu em Corinto, onde continuou a buscar o ideal cínico da autossuficiência: uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Por acreditar que a virtude era melhor revelada na ação e não na teoria, sua vida consistiu duma campanha incansável para desancar as instituições e valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta.

Segundo a tradição, Diógenes vivia a perambular pelas ruas na mais completa miséria até que um dia foi aprisionado por piratas para, posteriormente, ser vendido como escravo. Um homem com boa educação chamado Xeníades o comprou. Logo ele pôde constatar a inteligência de seu novo escravo e lhe confiou tanto a gerência de seus bens quanto a educação de seus filhos.

Diógenes levou ao extremo os preceitos cínicos de seu mestre Antístenes. Foi o exemplo vivo que perpetuou a indiferença cínica perante os valores da sociedade da qual fazia parte. Desprezava a opinião pública e parece ter vivido em uma pipa ou barril. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e autossuficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.

A felicidade – entendida como auto-domínio e liberdade – era a verdadeira realização de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a autossuficiência. A virtude – como em Aristóteles – deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.

Diógenes é tido como um dos primeiros homens (antecedido por Sócrates com a sua célebre frase “Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.”) a afirmar, “Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”, manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.

Diógenes parece ter escrito tragédias ilustrativas da condição humana e também uma República que teria influenciado Zenão de Cítio, fundador do estoicismo. De fato, a influência cínica sobre o estoicismo é bastante saliente.

Provavelmente, Diógenes foi o mais folclórico dos filósofos. São inúmeras as histórias que se contavam sobre ele já na Antiguidade.

É famosa, por exemplo, a história de que ele saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa procurando por homens verdadeiros (ou seja, homens auto-suficientes e virtuosos).

Igualmente famosa é sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para a Alexandre, disse: 

“Não me tires o que não me podes dar!”
 (variante: “deixe-me ao meu sol”). 

Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.”

Outra história famosa é a de que, tendo sido repreendido por estar se masturbando em público, simplesmente exclamou: “Oh! Mas que pena que não se possa viver apenas esfregando a barriga!”

Outra história ainda é a de que um dia Diógenes foi visto pedindo esmola a uma estátua. Quando lhe perguntaram o motivo de tal conduta ele respondeu “por dois motivos: primeiro é que ela é cega e não me vê, e segundo é que eu me acostumo a não receber algo de alguém e nem depender de alguém.”

A TEMÁTICA DO CÃO

Muitas anedotas sobre Diógenes referem-se ao seu comportamento semelhante ao de um cão, e seu elogio às virtudes dos cães. Não é sabido se o filósofo se considerava insultado pelo epíteto “canino” e fez dele uma virtude, ou se ele assumiu sozinho a temática do cão para si. Os modernos termos “cínico” e “cinismo” derivam da palavra grega “kynikos”, a forma adjetiva de “kynon”, que significa “cão”. Diógenes acreditava que os humanos viviam artificialmente de maneira hipócrita e poderiam ter proveito ao estudar o cão. Este animal é capaz de realizar as suas funções corporais naturais em público sem constrangimento, comerá qualquer coisa, e não fará estardalhaço sobre em que lugar dormir. Os cães, como qualquer animal, vivem o presente sem ansiedade e não possuem as pretensões da filosofia abstrata. Somando-se ainda a estas virtudes, estes animais aprendem instintivamente quem é amigo e quem é inimigo. Diferentemente dos humanos, que enganam e são enganados uns pelos outros, os cães reagem com honestidade frente à verdade.

A associação de Diógenes com os cães foi rememorada pelos Coríntios, que erigiram em sua memória um pilar sobre o qual descansa um cão entalhado em mármore de Paros.

PRECEDENTE DO ANARQUISMO

Nas reflexões desenvolvidas pelo filósofos cínicos pode-se reconhecer importantes princípios do anarquismo ainda na Grécia Antiga. Segundo o historiador inglês Donald R. Dudley, em particular no pensamento de Diógenes podem ser identificados muitos elementos presentes no movimento anarquista da contemporaneidade.

Em seu artigo “Aristóteles e o Anarquismo” (Aristotle and Anarchism) o filósofo estadunidense David Keyt afirma que as sementes do anarquismo filosófico podem ser mais facilmente encontradas nas ideias de Diógenes de Sínope do que nas de Sócrates. Este mesmo autor confere também a Diógenes a defesa do gérmen do proto-internacionalismo na Antiguidade, uma vez que o próprio Diógenes, refutando todas as identidades vinculadas as cidades estados e povos antigos, e negando assim a imprescindibilidade da pólis (apolis), se definia como cidadão do cosmos (kosmopolitê). O peso do pensamento ácrata de Diógenes na filosofia da Antiguidade faz este autor considerar a hipótese de Aristóteles estar em parte reagindo e se contrapondo às ideias de Diógenes quando faz sua defesa da pólis.

Em relação a temática do casamento Diógenes refuta o modelo familiar grego afirmando que as esposas deveriam ser mantidas em comum, não reconhecendo nenhuma legitimidade em qualquer união baseada na coerção, mas somente nas relações que se baseiem na persuasão entre pares.

Keyt apresenta ainda a perspectiva de Diógenes em relação à escravidão. Sua crítica à escravidão estaria focada no caráter de voluntarismo da parte dominada em relação à dominante: escravos sentem necessidade de mestres.. Em relação a este tema a posição de Diógenes se aproxima das reflexões apresentadas por Étienne de La Boétie sobre a servidão voluntária. Além de ser outro importante precedente do anarquismo no final do medievo, La Boétie fora a seu tempo tradutor de diversos escritos relacionados aos cínicos, adotando também a metodologia cínica baseada na inventividade, no uso da ironia, em jogos de palavras e paradoxos.

“Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara.”
Diógenes de Sínope

Da perspetiva apresentada por Roca e Álvarez Diógenes de Sínope pode ser considerado também um predecessor dos happenings como ferramenta de contestação política. Ainda na ótica destes autores, através de suas ações provocativas individuais com as quais contestava toda forma de autoridade (Diógenes adorava ridicularizar Platão enquanto autoridade filosófica) e de sacralidade, Diógenes pode ser considerado um importante precedente da vertente libertária conhecida como anarcoindividualismo.

OBRA

Talvez em parte por causa de seu comportamento escandaloso, que os escritos de Diógenes caíram no quase total esquecimento. Com efeito, a politeia (a República) escrita por Diógenes ataca numerosos valores do mundo grego, preconizando, entre outros, a antropofagia, a liberdade sexual total, a indiferença à sepultura, a igualdade entre homens e mulheres, a negação do sagrado, a supressão das armas e da moeda e o repúdio à arrecadação em prol da cidade e de suas leis. Por outro lado, Diógenes considerava o amor como sendo absurdo: não se deve apegar-se a outra pessoa.

Certos estóicos, portanto próximos da corrente cínica de Diógenes, parecem ter preferido dissimular e esquecer essa herança julgada “embaraçosa”.


ALEXANDRE, O GRANDE

356 a.C., Macedónia 13/06/323 a.C., Babilónia

Conta a lenda que a mãe de Alexandre, Olympia, no momento da conceção, sonhou que uma serpente entrou silenciosamente no seu quarto. Insinuando-se entre os cobertores, deslizou entre suas pernas e seus seios, e a possuiu sem machucá-la. E o seu sémen se misturou com aquele que o marido, o rei Filipe 2º, lhe dera momentos antes de ser vencido pelo sono e pelo vinho.

Alexandre era filho de Filipe da Macedónia, que se tornou rei em 338 a.C., dominando toda a Grécia, com exceção de Esparta. Aos 13 anos recebeu como preceptor ninguém menos que Aristóteles, um dos homens mais sábios de sua época e de todos os tempos. Com ele, Alexandre aprendeu as mais variadas disciplinas: retórica, política, ética, ciências físicas e naturais, medicina, geografia; e conheceu as obras de autores como Eurípides e Píndaro.

Ao mesmo tempo, o príncipe se interessava pelas artes marciais e pela domesticação de cavalos. Na arte da guerra, Filipe 2º, militar experiente e corajoso, instruiu o filho com conhecimentos de estratégia e de comando. Alexandre, com 18 anos, pôde mostrar seu talento quando, à frente de um esquadrão de cavalaria, venceu o batalhão sagrado de Tebas, na Batalha de Queronéia, em 338 a.C.

Depois do assassinato de seu pai em 336 a.C., Alexandre assumiu o trono da Macedónia enfrentando resistência em algumas cidades gregas. Com o poder nas mãos, o jovem rei que viria a ser conhecido como Magno (ou o Grande) deu início à expansão territorial do reino e ao seu ambicioso projeto de conquistar o Império Persa. Contava com um exército poderoso e organizado, dividido em infantaria, cuja principal arma eram lanças de grande comprimento, e em cavalaria, que constituía a base do ataque rápido ao inimigo.

Em 334 a.C., Alexandre cruzou o Helesponto - o estreito de Dardanelos, na atual Turquia -, e já na Ásia avançou até o rio Granico, onde enfrentou os persas pela primeira vez e alcançou a vitória. Prosseguiu triunfante em sua jornada, arrebatando cidades aos persas, até chegar a Górdia. Diante das perdas, o rei da Pérsia, Dario 3º, foi ao encontro do inimigo. Na batalha de Isso, em 333 a.C., consumou-se a derrota dos persas e começou o caso do grande império.

Em seguida, Alexandre empreendeu a conquista da Síria em 332 a.C. e entrou no Egito. Seu sonho, além de aumentar em poder e em glória, era unir a cultura oriental à ocidental. Respeitou os antigos cultos aos deuses egípcios e até se apresentou no santuário do Oásis de Siwa, onde foi reconhecido como filho de Amon e sucessor dos faraós. Mas a tendência à fusão das duas culturas gerou desconfianças entre seus oficiais macedónios e gregos, que temiam um excessivo afastamento dos ideais helénicos por parte de seu monarca.

Em 332 a.C. fundou, no Egito, Alexandria cidade que viria a converter-se num dos grandes focos culturais da Antiguidade. Um ano depois, Alexandre enfrentou novamente Dario 3º na batalha de Gaugamela, cujo resultado determinou a queda definitiva da Pérsia em poder dos macedónios. Morto Dario, Alexandre foi proclamado rei e sucessor da dinastia persa em 330 a.C.

No ano 328 a.C casou-se com Roxana, filha do governante da Bactriana, com quem teve um filho de nome Alexandre 4o. Em 327 a.C. dirigiu suas tropas para a Índia, onde fundou colônias militares e cidades, entre as quais Nicéia e Bucéfala, às margens do Rio Hidaspe. Ao chegar ao Rio Bias, porém, suas tropas, exaustas, se negaram a continuar.

Alexandre decidiu regressar à Pérsia, viagem penosa, sob o ataque de povos hostis, na qual foi ferido mortalmente e acometido de uma febre misteriosa, que nenhum de seus médicos soube curar. Alexandre morreu na Babilónia, a 13 de junho de 323 a.C., com apenas 33 anos.

O império que edificou, em 12 anos, ia do rio Indo ao Nilo, com as culturas helénica e oriental interpenetrando-se e produzindo uma nova civilização que talvez tenha sido o maior legado de Alexandre à humanidade


ALEXANDRE E DIÓGENES
o Grande e o Cínico

Conta-se que, certa feita, Alexandre da Macedônia, o Grande, após triunfar sobre os gregos e entrar em Atenas como conquistador, ali soube da existência daquele considerado um verdadeiro sábio pelos atenienses, o mais sábio dentre os homens: Diógenes de Sínope.

Segundo relataram ao Grande, Diógenes fora pupilo do célebre Antístenes de Atenas, por sua vez fundador do Cinismo e notável discípulo de ninguém menos do que o próprio Socrátes. Diógenes era natural de Sínope (hoje, uma cidade da Turquia), mas quando questionado sobre sua naturalidade, se havia ou não nascido em Atenas, respondia simplesmente que era

“uma criatura natural do cosmos, e não de uma cidade nem de um estado”.

Conforme as lendas que cercam seu nome, Diógenes, por desprezar praticamente tudo o que considerava mundano, vivia em trapos e perambulava pelas ruas atenienses carregando uma pequena lamparina acesa. Diógenes falava que estava a procurar pelo menos um homem de verdade, um que vivesse por si mesmo, que não fosse apenas membro de um rebanho. Acabou capturado por piratas e posto a venda como escravo. No mercado, foi comprado por um nobre que lhe incumbiu da instrução de seus dois filhos.

Ao perguntar onde poderia encontra o tal sábio, Alexandre escutou que Diógenes morava num barril, nas proximidades de um porto, diziam. Alexandre, sabendo da enigmática busca empreendida por aquele estranho sábio, apressou-se em procurá-lo. Encontrando Diógenes sentado no chão ao lado de seu barril, tomando sol, o imperador, extasiado, apressou-se em lhe dizer:

“Sou Alexandre, aquele que conquistou todas as terras. Peça-me o que quiser que eu lhe darei.
Palácios, terras, honrarias, escravos ou tesouros jamais vistos. O que você quer, ó Sábio?”. 

Diógenes, levantou os olhos e respondeu:

“Senhor, apenas não tire de mim o que não pode me dar”.

Percebendo que se posicionara entre Diógenes e o sol, Alexandre, perplexo ante a profundidade do que havia escutado, se retirou daquele lugar, deixando também a Capital grega, para nunca mais voltar.

(Noutra versão Alexandre perguntou-lhe se ele queria alguma coisa, e Diógenes disse-lhe:
"Estou à procura dos ossos do teu pai, mas não consigo distingui-los dos de um escravo".)

(Nota: Alexandre escreveu em seu diário:

“Pela primeira vez senti que a riqueza é algo diferente de ter dinheiro. Eu vi um homem rico.”)

Alexandre, o Grande, é considerado o maior conquistador da história. Diógenes, por sua vez, é considerado o maior entre os filósofos Cínicos.

UMA VIDA CALMA E TRANQUILA

A primeira pergunta que Diógenes fez a Alexandre é a primeira pergunta que qualquer pessoa inteligente deve fazer a si própria. Diógenes não desperdiçou um único momento.

- Alexandre, estás a tentar conquistar o mundo inteiro. Então e tu? Terás tempo suficiente, depois de conquistares o mundo, para te conheceres a ti próprio? Tens certezas sobre o amanhã ou sobre o próximo momento?
Estátua de Diógenes em Sínope, Turquia

Alexandre nunca tinha conhecido um homem assim. Ele já tinha vencido grandes reis e imperadores, mas percebeu que Diógenes era um homem muito poderoso. Baixando os olhos, Alexandre respondeu:

- Não te posso dizer que esteja certo sobre o momento seguinte. Mas posso prometer-te uma coisa: quando tiver conquistado o mundo, vou desejar descansar e viver uma vida calma, tal como tu.

Diógenes estava a gozar um banho de sol matinal junto a um rio, rodeado por bonitas árvores. Ele riu-se... por vezes penso que o seu riso ainda deve continuar a ecoar.

Pessoas como Diógenes pertencem à eternidade. As suas assinaturas não são feitas na água.

Alexandre sentiu-se ofendido e perguntou-lhe porque se estava a rir.

- É muito simples! - respondeu Diógenes. - Se eu posso descansar e viver uma vida calma sem ter conquistado o mundo, o que te impede a ti de fazer o mesmo? O rio é grande e eu não tenho qualquer objecção a fazer. Podes ocupar o lugar que quiseres - mesmo que queiras o meu lugar, eu posso mudar de sítio. Descansa agora, se desejas descansar. Descansa agora. Agora ou nunca.

O que Diógenes dizia era absolutamente verdade, mas, para um homem que se encontrava a fazer uma viagem do ego, isso era demasiado óbvio, demasiado simples. Ficar a descansar na margem do rio não alimenta o ego. O que é que se conseguiu dominar? O que é que se conquistou?

*Olhos do Buda

A DESCOBERTA DO BUDA – CONQUISTE A SI-MESMO


SUTRA DO BUDA:

É melhor conquistar a si mesmo do que vencer mil batalhas. Então, a vitória é sua, não pode ser tirada de você, nem por anjos nem por demónios, céu ou inferno.

OSHO: 

Há apenas alguns acontecimentos significantes na vida de Alexandre, o Grande. Um deles é o encontro com o grande místico Diógenes. Diógenes estava deitado às margens de um rio, nu, tomando banho de sol. Era de manhã cedo. O sol matinal, a beleza da margem do rio e a areia fresca… e Alexandre estava passando por aquela região – estava a caminho da Índia.

Alguém lhe disse:

– Diógenes está bem perto daqui. E você sempre pergunta sobre ele! – sim, porque Alexandre tinha ouvido muitas histórias. Diógenes era realmente um homem digno de ser chamado de “um homem”! Até Alexandre, lá no fundo, tinha inveja dele.

Ele foi vê-lo. E ficou impressionado com a sua beleza – nu, sem enfeites, sem quaisquer ornamentos. O próprio Alexandre estava coberto de ornamentos, enfeitado de todos os modos possíveis, mas, diante de Diógenes, ele parecia muito pobre. E ele disse a Diógenes:

Tenho inveja de você. Eu pareço pobre, comparado a você, e você não tem nada! Que riqueza é essa que você tem?

Diógenes disse:

Eu não desejo nada, a ausência de desejo é o meu tesouro. Eu sou um mestre porque não possuo nada; a não-possessividade é minha mestria, e eu conquistei o mundo, porque conquistei a mim mesmo. E minha vitória vai comigo e a sua vitória lhe será retirada pela morte.

E quando Alexandre estava morrendo, ele se lembrou de Diógenes, do seu riso, da sua paz, da sua alegria. Ele se lembrou de que Diógenes tinha algo que transcendia a morte, e se deu conta: “Eu não tenho nada”.

Ele chorou, lágrimas afloraram em seus olhos e ele disse a seus ministros:

– Quando eu morrer e vocês levarem o meu corpo para o cemitério, deixem minhas mãos para fora do ataúde.

Os ministros perguntaram:

Mas não é esta a tradição! Por quê? Por que esse pedido tão estranho!?

Alexandre disse:

– Eu quero que as pessoas vejam que eu cheguei de mãos vazias e estou partindo de mãos vazias, e que toda a minha vida foi um desperdício. Deixem minhas mãos para fora do ataúde de modo que todos possam ver; até mesmo Alexandre, o Grande, está partindo de mãos vazias.

Despertando: Se você não assumir o controle da situação em algum momento, viverá uma vida pré-programada pela sociedade.

Quando você vem ao mundo, existe um “plano padrão” pré-estabelecido te esperando onde diz que: você tem que estudar em um bom colégio, ingressar em uma boa universidade, conseguir um bom emprego, ter dinheiro, prestígio, constituir família, ter uma velhice tranquila e, então, partir em paz.

Esse é o caminho padrão de busca pela felicidade proposto pela sociedade, essas são as batalhas a serem vencidas. E você pode vencê-las, basta entender como o jogo funciona e pagar o preço que dará “certo” – conquistar tudo isso não será o problema.

Acontece que existe uma diferença entre o que a sociedade diz que é felicidade e o que, de fato, é a felicidade. O modelo proposto pela sociedade é materialista e, o ego, é quem está por trás dele. E toda felicidade oriunda do cumprimento de exigências feitas pelo ego tem prazo curto de validade.

Você pode ser feliz através do dinheiro, até que uma falência aconteça e leve embora a sua paz. Você pode ser feliz através de um relacionamento, até que uma separação ocorra e, então, você se verá infeliz. Qualquer felicidade dependente de fatores externos terá baixa intensidade e pouca duração.

Todos nós temos nossa Centelha Divina, todos, um dia, irão acordar para o amor. E o início do despertar acontece exatamente no momento que você compreende que a verdadeira felicidade está dentro de nós, é interna, não tem nenhuma relação com o mundo fora.

Quando o olhar passa a ser para dentro, quando optamos pelo caminho do autoconhecimento, entramos no processo de reencontro com a nossa alma, com nosso Eu Superior – a parte de nós que sempre estará presente, não importando o quanto esteja escondida pelas camadas de lixo criadas pelo ego.

Essa é a proposta oferecida por Buda, a conquista de si mesmo, a jornada de autoconhecimento.

Somente quando você experimentar a sensação de completude, de não-dependência do dinheiro, é que terá todo o dinheiro necessário para ser feliz. Somente quando você for capaz de ser feliz sozinho, sem a dependência de um outro alguém, é que realmente conseguirá ser feliz a dois.

É quando conquistamos a nós mesmos, é quando nos lembramos da divindade que somos, que nos fundimos no Todo e, a partir daí, passamos a experienciar a paz.


"Aqueles que dizem estar esperando por uma oportunidade estão sendo enganados, e não estão enganando ninguém a não ser eles mesmos.
A oportunidade não irá surgir amanhã. Ela já chegou, esteve sempre presente.
Esteve presente mesmo quando você não estava aqui.
A existência é uma oportunidade.
Ser é a oportunidade.
Não diga: "Amanhã irei meditar, amanhã irei amar, amanhã irei ter uma relação radiante com a existência.
" Por que amanhã? O amanhã nunca chega.
Por que não agora? Por que adiar?
O adiamento é um truque da mente: faz com que você continue cheio de esperanças, e enquanto isso a oportunidade está escapando de você.
E, no final, você chegará ao derradeiro destino - a morte - e não haverá mais oportunidades à disposição.
Isso já aconteceu muitas vezes no passado.
Você não é novo aqui.
Você já nasceu e morreu muitas vezes.
E, a cada vez, a mente usou o mesmo truque, e você ainda não aprendeu.
Quando a alma é bela, surge uma beleza que não é desse mundo." - OSHO

*OLHOS DO BUDA: 

O SIGNIFICADO DOS PODEROSOS OLHOS QUE TUDO VEEM


Enigmáticos e intrigantes, os chamados Olhos do Buda representam através do budismo o sentido dos “olhos que tudo veem e tudo sabem, mas nada falam”. A bela e impactante imagem, entretanto, permanece gravada em praticamente todos os santuários budistas (estupas) - com destaque para o Templo do Macaco, no Nepal -, consistindo em um gigante par de olhos que olham para fora a partir dos quatro lados da torre principal de tais monumentos; estes são os olhos da sabedoria, vendo em todas as direções, simbolizando a omnisciência de Buda.

Devido à curiosidade despertada por tal imagem, surgem diversas lendas e crenças ao redor de Buda e a interpretação dada às pinturas nos santuários, uma vez que esta possui diversos elementos e uma serenidade pouco compreendida.

Além de dois grandes olhos e elementos altamente gráficos, os Olhos de Buda apresentam fortes simbologias, inclusive um pequeno “terceiro olho”, sugerindo novamente a sabedoria e a visão de tal divindade.

Acredita-se que a imagem por si só representa o mais verdadeiro e puro amor; aquele que de nada tem a ver com aparências ou ego, que são libertos da cobiça ou da ambição. Estes olhos simplesmente estão ali para testemunhar, permitir e sintonizar-se sem julgamentos; os Olhos de Buda não dizem nada, ao mesmo tempo que dizem muito e penetram à espera de um despertar da natureza individual evoluída.

Cheios de compaixão e poder, obter a sintonia com este elemento é um ponto de partida para mudança espiritual, substituindo então o pessoal pelo universal. Diz-se ainda que o ato de meditar sob a imagem dos Olhos de Buda será o suficiente para causar tal despertar espiritual aguardado por eles. Já outros afirmam que o simples fato de ver os olhos pintados do tempo de Boudhanath, também no Nepal, já tornariam tal espetador abençoado.

Além de sua atribuição em larga escala, ilustrado em templos budistas, a imagem dos Olhos do Buda também simbolizam a proteção poderosa contra más energias, podendo ele ser utilizado na forma de estampas no vestuário, na pintura em paredes de casa ou mesmo de maneira mais discreta, como em pingentes em colares, chaveiros ou pulseiras.


“Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.” (Milan Kundera)



♥ 
ALEXANDRE, O GRANDE - https://educacao.uol.com.br/
A DESCOBERTA DO BUDA – OSHO - oshohttp://www.despertando.com.br/descoberta-do-buda-conquiste-si-mesmo/ 

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