A Perfeição é o Destino de Todos | O Desejo e o Medo São Estados Autocentrados | Sri Nisargadatta Maharaj




"O meu Guru ordenou que Eu me agarrasse ao sentido de "Eu sou" (de Presença), e  que não desse atenção a mais nada. Eu simplesmente obedeci. Não segui nenhuma técnica especial de respiração ou de meditação, nem segui nenhum estudo das escrituras. O que quer me que acontecesse, e que afastasse a minha atenção de mim mesmo, Eu teria que retornar sempre ao sentido de "Eu sou". Pode parecer muito simples, até mesmo básico. A única razão para Eu ter feito isso foi porque o meu Guru assim me disse. E funcionou! A obediência ao Guru é um poderoso solvente de todos os desejos e medos." - Sri Nisargadatta Maharaj


A PERFEIÇÃO É O DESTINO DE TODOS

(Conversações com Sri Nisargadatta Maharaj)

PERGUNTA: Quando perguntado sobre os meios para a autorrealização, você, invariavelmente, salienta a importância da mente que permanece no sentido eu sou . Onde está o fator causal? Por que este pensamento particular deve resultar em autorrealização? Como a contemplação do 'eu sou' me afeta?

MAHARAJ: O próprio fato da observação altera o observador e o observado. Afinal de contas, o que impede a perceção dentro da própria natureza verdadeira é a fraqueza e a obtusidade da mente, e sua tendência a omitir o subtil e focar apenas o grosseiro. Quando você segue meu conselho e tenta manter sua mente na noção do ‘eu sou’ apenas, você se torna plenamente consciente de sua mente e de seus caprichos. A Consciência, sendo harmonia lúcida (sattva) em ação, dissolve o embotamento e aquieta a agitação da mente e, gentilmente, mas de forma firme, muda sua própria substância. Esta mudança não necessita ser espetacular; pode até ser impercetível e, ainda assim, ela é uma mudança profunda e fundamental da escuridão para a luz, da inadvertência para a Consciência.

PERGUNTA: Tem que ser a fórmula ‘eu sou’? Qualquer outra sentença não funcionará? Se eu me concentrar sobre ‘há uma mesa’, não servirá ao mesmo propósito?

MAHARAJ: Como um exercício de concentração - sim. Mas não o levará além da ideia de uma mesa. Você não está interessado em mesas, quer conhecer a si mesmo. Por esta razão, mantenha firmemente no foco da consciência a única pista que você tem: sua certeza de ser. Esteja com ela, jogue com ela, pondere sobre ela, mergulhe profundamente dentro dela, até que a casca da ignorância quebre e você venha a emergir no domínio da realidade.

PERGUNTA: Há qualquer ligação causai entre meu enfoque do ‘eu sou’ e a rutura da casca?

MAHARAJ: A urgência para descobrir-se é um sinal de que você está ficando pronto. O impulso sempre vem de dentro. A menos que tenha chegado a hora, você não terá nem o desejo nem a força para começar de todo o coração a auto-investigação.

PERGUNTA: A graça do Guru não é responsável pelo desejo e seu cumprimento? O rosto radiante do Guru não é a isca na qual somos pegos e arrancados deste lodo da aflição?

MAHARAJ: O Guru Interior (sadguru) é o que o leva para o Guru Externo, como uma mãe leva seu filho para um professor. Confie nele - e lhe obedeça - pois ele é o mensageiro de seu ser Real.

PERGUNTA: Como encontro um Guru em quem possa confiar?

MAHARAJ: Seu próprio coração dirá a você. Não há dificuldade em encontrar um Guru porque o Guru o está buscando. O Guru está sempre pronto; você não está. Você deve estar sempre pronto para aprender, ou pode encontrar seu Guru e perder sua oportunidade por falta de atenção e teimosia. Veja o meu exemplo; não havia nada em mim que prometia muito, mas, quando encontrei meu Guru, escutei, confiei e obedeci.

PERGUNTA: Eu não devo examinar o mestre antes de colocar-me inteiramente em suas mãos?

MAHARAJ: Por todos os meios, examine! Mas o que você pode descobrir? Apenas como ele aparece a você em seu próprio nível.

PERGUNTA: Devo observar se ele é consistente, se há harmonia entre sua vida e seu ensinamento.

MAHARAJ: Você pode encontrar muita desarmonia — e daí? Isto não prova nada. Apenas os motivos importam. Como você conhecerá seus motivos?

PERGUNTA: Deveria ao menos esperar dele que seja um homem com autocontrole. que viva uma vida justa.

MAHARAJ: Como esse, você encontrará muitos - e não serão úteis a você. Um Guru pode mostrar o caminho de volta para casa, para seu ser real.

O que tem isto a ver com o caráter, ou com o temperamento da pessoa que ele parece ser? Ele não fala claramente a você que ele não é uma pessoa? O único modo de julgá-lo é pela mudança em você mesmo quando está em sua companhia. Se você se sente mais feliz e em paz, se você compreende a si mesmo com claridade e profundidade maiores que o usual, quer dizer que encontrou o homem certo. Ele toma seu tempo, mas, uma vez que você tenha decidido confiar nele, confie absolutamente e siga cada instrução, plena e fielmente. Não importa muito se você não o aceita como seu Guru e está satisfeito com sua companhia apenas. Só satsang pode também levá-lo à sua meta, desde que seja puro e sereno. Mas, uma vez que você aceite alguém como seu Guru escute, relembre e obedeça. A tibieza do coração é um sério defeito e a causa de muita aflição auto-criada. O engano nunca é do Guru; é sempre a obtusidade e a obstinação em relação à disciplina que são culpadas.

PERGUNTA: O Guru então rejeita ou desqualifica um discípulo?

MAHARAJ: Não seria um Guru se o fizesse! Ele aguarda a sua hora e espera até que o discípulo purificado e sóbrio, volte para ele com um ânimo mais aberto as novas ideias.

PERGUNTA: Qual o motivo? Por que o Guru suporta tantos problemas?

MAHARAJ: A aflição e o fim da aflição. Ele vê as pessoas sofrendo em seus sonhos e quer despertá-las. O amor não tolera a dor e o sofrimento. A paciência do Guru não tem limites e, portanto, não pode ser derrotada. O Guru nunca fracassa.

PERGUNTA: O meu primeiro Guru é também o último, ou tenho que passar de Guru a Guru?

MAHARAJ: O universo inteiro é seu Guru. Você aprende de tudo se estiver alerta e for inteligente. Se sua mente fosse clara e seu coração limpo, aprenderia de cada transeunte. É porque você é indolente ou inquieto que seu ser interior se manifesta como o Guru externo e o faz confiar nele e lhe obedecer.

PERGUNTA: É inevitável um Guru?

MAHARAJ: É como perguntar: ‘É inevitável uma mãe?' Para elevar-se na consciência de uma dimensão à outra, você necessita de ajuda. A ajuda nem sempre pode estar na forma de um ser humano. Pode ser uma presença subtil, ou uma centelha de intuição, mas a ajuda deve chegar. O Eu interior está observando e esperando que o filho regresse a seu pai. No momento adequado, ele arranja tudo, afetuosa e efetivamente. Onde um mensageiro é necessário, ou um guia, ele envia o Guru para fazer o que é preciso.

PERGUNTA: Há uma coisa que não posso compreender. Você fala do ser interior como sábio, bom e bonito, e perfeito em todos os modos possíveis, e da pessoa como um mero reflexo sem uma existência própria. Por outro lado, você aceita tantos problemas para ajudar a pessoa a realizar-se. Se a pessoa fosse tão desprezível, por que se interessaria tanto pelo seu bem-estar? A quem importaria uma sombra?

MAHARAJ: Você introduziu a dualidade onde ela não existe. Há um corpo e há o Ser. Entre eles está a mente, na qual o Ser é refletido como 'eu sou’. Devido à imperfeição da mente, sua dureza e inquietação, falta de discernimento e perceção, ela se toma como um corpo, não como o Ser. Tudo o que é necessário é purificar a mente para que ela possa compreender sua identidade com o Ser. Quando a mente mergulha no Ser, o corpo não apresenta problemas. Permanece o que é, um instrumento de cognição e ação, a ferramenta e a expressão do fogo criativo interior. O valor supremo do corpo é que ele serve para descobrir o corpo cósmico, o qual é o universo em sua totalidade. Quando você se compreende na manifestação, continua a descobrir que você é mais do que já imaginou.

PERGUNTA: Não há fim para a auto-descoberta?

MAHARAJ: Como não há um princípio, não há nenhum fim. Mas o que descobri pela graça do Guru é que eu não sou nada que possa ser apontado; nem sou um ‘isto’ ou um ‘aquilo’. Isto se mantém de forma absoluta.

PERGUNTA: Então, onde entra a descoberta sem fim, o transcender infinitamente a si mesmo para novas dimensões?

MAHARAJ: Tudo isto pertence ao reino da manifestação, está na própria estrutura do universo que o superior só possa ser alcançado pela libertação do inferior.

PERGUNTA: O que é o inferior e o que é superior?

MAHARAJ: Veja-os em termos de Consciência. A consciência mais ampla e mais profunda é superior. Tudo o que vive trabalha para proteger, perpetuar e expandir a consciência. Este é o único significado e propósito do mundo. E a própria essência da Ioga - elevação contínua do nível de consciência, descoberta de novas dimensões, com suas propriedades, qualidades e poderes. Nesse sentido, o universo inteiro toma-se uma escola de Ioga (yogakshetra).

PERGUNTA: O destino de todos os seres humanos é a perfeição?

MAHARAJ: De todos os seres vivos - em última instância. A possibilidade toma-se uma certeza quando a noção de iluminação aparece na mente. Uma vez que um ser vivo tenha ouvido e compreendido que a liberdade está ao seu alcance, ele nunca esquecerá isso, pois essa é a primeira mensagem da vida interior. Ela lançara raízes e crescerá e, no devido tempo, tomará a forma abençoada do Guru.

PERGUNTA: Assim, tudo que nos interessa é a redenção da mente?

MAHARAJ: O que mais? A mente se desvia, a mente retoma para casa. Mesmo a palavra desviai-se não é apropriada. A mente deve conhecer-se em cada sua forma. Nada e um erro a menos que seja repetido




O DESEJO E O MEDO SÃO ESTADOS AUTO-CENTRADOS


PERGUNTA: Gostaria de voltar novamente à questão do prazer e da dor, do desejo e do temor. Entendo o medo, o qual é a memória e a antecipação da dor. Ele é essencial para a preservação do organismo e de seu padrão de vida. As necessidades, quando sentidas, são dolorosas, e sua antecipação é cheia de medo: estamos preocupados com razão de não sermos capazes de satisfazer nossas necessidades básicas. O alívio que sentimos quando satisfazemos uma necessidade, ou aliviamos uma ansiedade, deve-se inteiramente ao fim da dor. Podemos dar-lhe nomes positivos como prazer ou alegria, ou felicidade, mas, essencialmente, é o alívio da dor. E o temor à dor que mantém coesas nossas instituições sociais, económicas e políticas.

O que me assombra é que nós encontramos prazer nas coisas e nos estados da mente, os quais não têm nada a ver com a sobrevivência. Pelo contrário, nossos prazeres são geralmente destrutivos. Eles danificam ou destroem o objeto, o instrumento e também o sujeito do prazer. De outro modo, o prazer e a busca do prazer não seriam problemas. Isto me leva ao âmago de minha pergunta: Por que o prazer é destrutivo? Por que, apesar de sua destrutividade, é desejado?

Posso acrescentar que não estou pensando no padrão prazer-dor mediante o qual a natureza nos obriga a seguir seu caminho. Penso nos prazeres criados pelo homem, sensórios e subtis, desde o mais grosseiro, como se fartar de comer, até o mais refinado. O vício do prazer a qualquer custo é tão universal que deve haver algo de significativo em sua raiz.

Certamente, nem toda a atividade do homem deve ser utilitária, planeada para satisfazer uma necessidade. Brincar, por exemplo, é natural, e o homem é o animal mais brincalhão que existe. Brincar preenche a necessidade de auto-descoberta e auto-desenvolvimento. Mas, mesmo em suas brincadeiras, o homem torna-se destrutivo em relação à natureza, aos outros e a ele mesmo.

MAHARAJ: Em resumo, você não coloca objeção ao prazer, apenas a seu preço em dor e aflição.

PERGUNTA: Se a própria realidade é felicidade, então o prazer deve estar relacionado com ela de alguma maneira.

MAHARAJ: Não prossigamos pela lógica verbal. A felicidade da realidade não exclui o sofrimento. Além do mais, você apenas conhece o prazer, não a felicidade do puro ser. Portanto, examinemos o prazer em seu próprio nível.

Se você olhar para si mesmo em seus momentos de prazer ou dor, encontrará invariavelmente que não é a coisa em si mesma que é agradável ou dolorosa, mas a situação da qual é uma parte. O prazer está na relação entre o que aprecia e o que é apreciado. E a essência disto é aceitação. Qualquer que seja a situação, se for aceitável, será agradável. Se não for aceitável, será dolorosa. O que a faz aceitável não é importante; a causa pode ser tísica ou psicológica, ou não pode ser rastreada; a aceitação é o fator decisivo. De uma forma reversa, o sofrimento se deve à não aceitação.

PERGUNTA: A dor não é aceitável.

MAHARAJ: Por que não? Já tentou alguma vez? Tente e você encontrará na dor uma alegria que o prazer não pode dar, pela simples razão que a aceitação da dor o leva mais profundamente que o prazer. O eu pessoal, por sua própria natureza, está continuamente perseguindo o prazer e evitando a dor. O fim deste padrão é o fim do eu. O fim do eu com seus desejos e medos lhe permite retornar à sua natureza real, à origem de toda felicidade e paz. O desejo permanente de prazer é o reflexo da harmonia interior eterna. E um fato observável que alguém se toma consciente de si mesmo apenas quando capturado pelo conflito entre prazer e dor, o qual exige escolha e decisão. E o confronto entre desejo e medo que causa raiva, a qual é a grande destruidora da sanidade da vida. Quando a dor é aceita pelo que ela é, uma lição e uma advertência, e vista profunda e atentamente, a separação entre a dor e o prazer se romperá e ambos se converterão em experiência - dolorosa quando afrontada, agradável quando aceita.

PERGUNTA: Você aconselha evitar o prazer e aspirar à dor?

MAHARAJ: Não, nem aspirar ao prazer e evitar a dor. Aceite ambos como eles chegam, aprecie-os enquanto durarem; deixe-os ir quando devem ir-se.

PERGUNTA: Como é possível apreciar a dor? A dor física pede ação.

MAHARAJ: Certamente. E assim é com a mental. A felicidade está na Consciência disto, em não se encolher ou, de qualquer modo, afastar-se dela. Toda a felicidade vem da Consciência. Quanto mais conscientes somos, mais profunda é a alegria. A aceitação da dor, a não resistência, a coragem e a paciência - estas abrem profundas e permanentes fontes de felicidade real. a verdadeira bem-aventurança.

PERGUNTA: Por que a dor deveria ser mais eficaz que o prazer?

MAHARAJ: O prazer é aceito prontamente, enquanto todos os poderes do eu rejeitam a dor. Como a aceitação da dor é a negação do eu, e o eu se interpõe no caminho da verdadeira felicidade, a aceitação total da dor libera o manancial da felicidade.

PERGUNTA: A aceitação do sofrimento age do mesmo modo?

MAHARAJ: O fato da dor é trazido facilmente ao foco da Consciência. Com o sofrimento, não é tão simples. Focar o sofrimento não é suficiente, pois a vida mental, como a conhecemos, é uma contínua corrente de sofrimento. Para alcançar as mais profundas camadas de sofrimento, você deve ir às raízes e desenterrar sua vasta rede subterrânea, onde o medo e o desejo estão intimamente entrelaçados, e as correntes de energia da vida se opõem, obstruem e destroem entre si.

PERGUNTA: Como posso colocar em ordem uma confusão que está inteiramente abaixo do nível de minha consciência?

MAHARAJ: Estando consigo mesmo, com o 'eu sou'; por observar-se em sua vida diária com um interesse desperto, com a intenção de entender em vez de julgar, na plena aceitação do que quer que possa emergir, porque está aí, você propicia que o profundo saia à superfície e enriqueça sua vida e sua consciência com suas energias cativas. Este é o grande trabalho da Consciência; ela remove obstáculos e libera energias ao compreender a natureza da vida e da mente. A inteligência é a porta para a liberdade, e a atenção alerta é a mãe da inteligência.

PERGUNTA: Uma pergunta mais. Por que o prazer termina em dor?

MAHARAJ: Tudo tem um princípio e um fim, e o prazer também. Não o antecipe e não se arrependa, e não haverá dor. São a memória e a imaginação que causam o sofrimento.

Certamente, a dor depois do prazer pode ser devida ao mau uso do corpo ou da mente. O corpo conhece suas medidas, mas a mente, não. Seus apetites são inumeráveis e não têm limites. Observe sua mente com grande diligência, pois aí está o seu cativeiro e também a chave para a liberdade.

PERGUNTA: Minha pergunta não foi respondida totalmente ainda; porque são destrutivos os prazeres do homem? Por que o homem encontra tanto prazer na destruição? O interesse da vida está na proteção, perpetuação e expansão de si mesma. Nisto é guiada pelo prazer e pela dor.  Em que ponto eles se tornam destrutivos?

MAHARAJ: Quando a mente domina, relembra e antecipa, ela exagera, distorce, negligencia. O passado é projetado no futuro e o futuro trai as expectativas. Os órgãos de sensação e ação são estimulados além de suas capacidades e, inevitavelmente, entram em colapso. Os objetos de prazer não podem dar o que se espera deles e se desgastam, ou são destruídos, pelo abuso. Isto resulta em excesso de dor onde se buscava prazer.

PERGUNTA: Destruímos não apenas nós mesmos, mas os outros também!

MAHARAJ: Naturalmente, o egoísmo é sempre destrutivo. O desejo e o medo são estados auto-centrados. Entre o desejo e o medo, surge a raiva; com a raiva, o ódio; com o ódio, a paixão pela destruição. A guerra é ódio em ação, organizado e equipado com todos os instrumentos da morte.

PERGUNTA: Há uma maneira de acabar com estes horrores?

MAHARAJ: Quando mais pessoas chegarem a conhecer sua natureza real, sua influência, por sutil que seja, prevalecerá, e a atmosfera emocional do mundo será amenizada. As pessoas seguem seus líderes e quando, entre os líderes, aparece algum, grande de coração e de mente, absolutamente livre de egoísmo, seu impacto será suficiente para tomar impossíveis a crueza e os crimes da época presente. Uma nova era dourada pode vir e durar por um tempo e sucumbir à sua própria perfeição. Pois o declínio começa quando a maré está no ponto mais elevado.

PERGUNTA: Não existe a perfeição permanente?

MAHARAJ: Sim, existe, mas inclui toda imperfeição. É a perfeição de nossa própria natureza que faz tudo possível, percetível, interessante. Ela não conhece nenhum sofrimento, pois nem gosta nem desgosta, nem aceita nem rejeita. A criação e a destruição são dois pólos entre os quais é tecido seu padrão dinâmico. Liberte-se das predileções e preferências, e a mente, com sua carga de aflições, não existirá mais.

PERGUNTA: Mas não sou apenas eu que sofro. Há outros.

MAHARAJ: Quando você vai a eles com seus desejos e medos, meramente aumenta suas aflições. Em primeiro lugar, liberte-se do sofrimento, e apenas então pode esperar ajudar os outros. Você nem mesmo necessita esperar - sua própria existência será a maior ajuda que um homem pode dar a seus semelhantes.

Indicadores, por Nisargadatta Maharaj:






EU SOU AQUILO
SRI NISARGADATTA MAHARAJ
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