Bhagavad Gita - A Canção do Senhor | Parte 3/5


KRISHNA E RADHA

BHAGAVAD GITA


Canto VII 


SABEDORIA DA VISÃO ESPIRITUAL

Fala Krishna:

1. Escuta agora, filho de Pritha, como, mantendo o pensamento amorosamente voltado para Mim, aplicando-te à Yoga e fazendo de Mim teu refúgio, chegarás sem dúvida a conhecer-me por completo.

2. Vou revelar-te sem reservas este conhecimento e o super-conhecimento. Desde que os adquira, nada resta por aprender neste mundo.

3. Entre milhares de mortais, poucos se esforçam para atingir a perfeição, e entre os que conseguem atingi-la poucos são os que Me conhecem em essência.

4. Terra, água, fogo, ar, éter, pensamento, intelecto e consciência pessoal são os oito componentes que integram a Minha natureza material...

5. Esta é Minha natureza inferior. Conhece agora, ó tu de braço poderoso, Minha outra natureza, a superior, o elemento vital que mantém o Universo.

6. Sabe que esta (Minha dupla natureza) é a fecunda matriz de todos os seres. Sou o princípio do Mundo e Sou também seu fim.

7. Não há absolutamente nada superior a Mim, Dhananjaya. Todo Universo está preso a mim, como as pérolas de um colar estão presas ao fio que as mantém unidas.

8.
Eu sou, filho de Kunti, o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, das palavras sagradas Eu sou o pranava OM (=OM). O som no éter e a virilidade nos homens.

9. Sou puro perfume na terra, o brilho do fogo, a vida dos vivos, a santidade dos santos.

10. Sabe, filho de Pritha, que Sou a semente de toda a manifestação, sou a sabedoria dos sábios e o poder dos poderosos.

11. Sou a força dos fortes, livre de apego; Eu Sou o puro amor dos amantes, ó príncipe dos bharatas.

12. Entende que de Mim procedem todas as coisas - consciência, energia e matéria; Eu não estou nelas mas elas estão em Mim.

13. Iludido pelos três atributos da natureza (satwa, rajas e tamas), que se revelam em todas as coisas, não sabe que Eu estou acima delas e sou imperecível e imutável.

14. Difícil, ó príncipe, é romper o véu de ilusão que cerca a manifestação. Somente aquele que se aproximam de Mim superam a ilusão.

15. Os maus e os insensatos não Me procuram; seu entendimento foi arrebatado pela ilusão e eles participam da natureza demoníaca.

16. Quatro espécies de homens Me adoram, Arjuna: os aflitos, os que buscam a sabedoria, os que desejam riquezas e os sábios, ó príncipe dos bharatas.

17. Entre eles, o sábio, sempre consagrado à união mística e adorando o Uno, excede todos os demais; pois o sábio Me ama acima de todas as coisas e Eu o amo da mesma forma.

18. Todos eles são nobres, mas considero o sábio como a Mim mesmo, pois consagrado à união espiritual ele vem a Mim, meta suprema.

19. Ao fim de numerosos nascimentos, o homem dotado de sabedoria chega a Mim pensando: Vasudeva é o Todo. "Um homem com tão grande alma é difícil de encontrar".

20.
Aqueles, cujo desejo foi arrebatado por um desejo qualquer, procuram outras divindades, adotando tal ou qual forma de culto, de acordo com a sua própria natureza.

21. Qualquer que seja a forma de divindade a que um devoto pretenda render culto com verdadeira fé, sou Eu realmente quem inspira essa fé inquebrantável.

22. Cheio dessa fé. o devoto procura agradar tal divindade, servindo-a com esmero e dela consegue a satisfação dos seus desejos. Mas sou Eu que lhe ofereço tais bens.

23. No entanto, a recompensa obtida por esses homens de pequeno entendimento é limitada. Quem adora os deuses vai aos deuses; quem Me adora vem a Mim.

24. Os ignorantes, desconhecendo minha natureza de ser supremo e imperecível, pensam que Eu, imanifesto como sou, tenho uma forma visível e manifesta.

25. Oculto por Meu poder criador de ilusão, não me manifesto a todos, e por isso o mundo, vítima do engano, Me desconhece. Eu que não estou sujeito ao nascimento nem à morte.

26. Eu conheço todos os seres, passados, presentes e futuros, Arjuna, mas nenhum deles Me conhece.

27. Pela ilusão dos "pares contrários", originada da atração e repulsão, ó descendente de Bharata, toda criatura, ao nascer, é conduzida ao engano, ó terror de teus inimigos.

28. Mas aqueles homens de atos virtuosos, cujos pecados chegaram ao fim, libertam-se da ilusão dos pares contrários e Me adoram com vontade perseverante.

29. Aqueles que se refugiam em Mim, esforçando-se para livra-se da velhice e da morte, conhecem Brahma, o espírito supremo e a ação em sua integridade.

30.
E aqueles que, com o pensamento concentrado, Me conhecem como ser supremo, suprema divindade e supremo sacrifício, também Me conhecem verdadeiramente na hora da morte.




Canto VIII 

INTEGRAÇÃO NA SUPREMA DIVINDADE

Fala Arjuna:

1. O que é esse Brahma, o que é o espírito supremo, o que é a ação, ó Puruchottama? A que se dá o nome de ser supremo, suprema divindade?

2. Que é supremo sacrifício, como está aqui no corpo, ó Madhusûdana? Dize-me, enfim, como podem conhecer-Te na hora da morte aqueles que se dominam a si mesmos?

Fala Krishna:

3. Brahma é o Imperecível e o Supremo; sua natureza essencial é denominada espírito supremo; e a emanação que dá origem a todos os seres chama-se ação.

4. Ser supremo é minha natureza perecível; suprema divindade é o princípio criador masculino e Eu mesmo, encarnado neste corpo, sou o supremo sacrifício, ó tu o melhor dos mortais.

5. Aquele que nos últimos instantes de sua vida pensa unicamente em Mim, ao desembaraçar-se de seu corpo entra em Meus ser.

6. Mas quem abandona seu corpo pensando em algum (outro) ser, a ele se encaminha, filho de Kuntî; pois absorto sempre em tal pensamento, amoldou-se a esse ser.

7. Por isso pensa sempre em Mim e luta. Tendo o coração e o entendimento sempre voltados para Mim, virás a Mim sem dúvida.

8. O homem que com assiduidade medita no espírito supremo, e mantém sem cessar a mente aplicada à Yoga, sem voltar-se para nenhum outro ser, dirige-se a Ele.

9. O Eu supremo é o omnisciente, o eterno, o governador soberano, mais subtil que o subtil, sustém o Universo. Sua forma é inconcebível, é fulgurante como o Sol que brilha sobre as trevas.

10. Aquele que medita no eterno, no momento de sua morte, com a mente imóvel, fortalecida pela Yoga e com o alento vital (prâna) concentrado entre as sobrancelhas, dirige-se ao divino espírito supremo.

11. Vou revelar-te em breves palavras a mansão que os conhecedores dos Vedas chamam de indestrutível, em que entram aqueles que venceram a si mesmos e estão livres de paixões.

12.
Fechadas todas as portas dos sentidos, a mente concentrada no coração, retendo na cabeça o alento vital, concentrado na Yoga,

13. pronunciando o monossílabo sagrado OM, e concentrado em Mim, quem deixa o Mundo desta forma, ao abandonar seu corpo encaminha-se à meta suprema.

14. Fácil é atingir a suprema perfeição quando o homem anda na minha presença, constantemente consciente de Mim, em todos os caminhos de sua vida e alheio a outros deuses.

15. Essas grandes almas, conscientes da sua união comigo, não tornarão a nascer para esta vida perecível de sofrimentos, mas vêm a mim, a eterna Beatitude.

16. Esses mundos todos, ó Arjuna, desde o mundo de Brahma, estão sujeitos a um retorno ao nascimento; mas o homem que chegou a Mim nunca mais será exposto ao renascimento, ó filho de Kuntî.

17. Aqueles que sabem que o dia de Brahma tem a duração de mil idades e que a noite dura outras mil, são os que conhecem o dia e a noite.

18. Com a vinda do dia, o universo do manifesto surge do imanifesto, e ao chegar a noite, tudo se desvanece no imanifesto.

19.
Toda essa multidão de seres, vindos repetidamente à existência, desaparece ao chegar a noite, filho de Prithâ e surge novamente, sem vontade própria, quando vem o dia.

20. Mas, acima deste imanifesto, há na verdade outro ser imanifesto que é eterno e não perece quando perece todo o existente.

21. Aquele que é dito imanifesto é imperecível, é a meta suprema; quem chega a alcançá-la, jamais retorna. Esta é a minha morada.

22. Por uma devoção exclusiva a Ele, filho de Prithâ, pode-se chegar a este espírito supremo, que contém todos os seres e que preenche todo o Universo.

23. Vou revelar-te agora o momento em que os yogues partem para não mais voltar e também o momento em que partem para retornar.

24. Fogo, luz, dia, quinzena em que cresce a Lua e os seis meses em que o Sol segue sua rota no norte: este é o tempo em que os homens que morrem conhecendo Brahma, se dirigem a Brahma.

25. Fumaça, noite, a quinzena em que a Lua míngua e os seis meses em que o Sol está no sul, então o yogue alcança somente a luz lunar para nascer de novo entre os mortais.

26. Luz e trevas: eis aqui dois eternos caminhos deste mundo. Por um seguem aqueles que partem para não mais voltar e por outro, aqueles que devem retornar.

27. Conhecendo estes dois caminhos, filho de Prithâ, o yogue não se engana. Procura, pois, Arjuna, aplicar-te constantemente à Yoga.

28. Por maior que seja a justa recompensa prometida pelos Vedas aos sacrifícios, austeridades e atos de caridade, o yogue a supera em virtude de tal conhecimento, pois se encaminha à morada suprema e original.






Canto IX 

SANTIFICAÇÃO INTERNA PELO MISTÉRIO SUBLIME 

Fala Krishna:

1. Vou revelar-te agora, a ti que me ouves com respeito, o maior dos segredos, o conhecimento acompanhado do super-conhecimento. Desde que estejas neles instruído, estarás livre do mal.

2. É o conhecimento máximo, o máximo mistério, o purificador supremo, o conhecimento justo e verdadeiro pela perceção clara e imediata, fácil de realizar e inesgotável.

3. Os homens que não tem fé nesta prática piedosa não chegam a Mim, ó perseguidor de teus inimigos; entram novamente nos caminhos deste mundo mortal.

4. Em minha forma invisível, preencho todo este Universo; todos os seres estão em Mim, mas Eu não estou neles.

5. Mas tampouco os seres estão em Mim: este é o mistério do meu poder divino. Sendo sustentáculo de todos os seres e a causa de sua existência, meu espírito não está neles.

6. Da mesma forma que o ar incomensurável, movendo-se por toda parte, permanece sempre no espaço etéreo, todos os seres estão em mim.

7. Quando um kalpa chega a seu fim, filho de Kuntî, todos os seres são absorvidos em minha natureza material, e de Mim emanam outra vez ao principiar um novo kalpa.

8. Com ajuda de Minha natureza material Eu emano, repetidas vezes, toda essa multidão de seres que surgem sem vontade própria, obedecendo ao poder da natureza.

9. No entanto, Dhananjaya, Eu não permaneço ligado por tais atos, pois Me mantenho acima deles, indiferente.

10. Sob meu comando a natureza engendra todos os seres, animados e inanimados; e assim, filho de Kuntî, o mundo cumpre seu ciclo.

11. Os insensatos, desconhecendo minha natureza superior, quando estou revestido por uma forma humana, Me desprezam, a Mim, soberano senhor de todas as criaturas.

12. Privados de entendimento, toda sua ação, seu conhecimento, suas esperanças são vãs; eles participam da natureza râkshasas e asuras.

13. Mas os homens de alma elevada, filho de Prithâ, participando de minha natureza divina e sabendo que Eu sou a fonte eterna e inesgotável de todos os seres, Me adoram com o pensamento fixo em Mim.

14. Glorificando-Me sem cessar, lutando com afinco, firmes em seus votos e prosternando-se diante de Mim. Me adoram com devoção fervorosa e constante.

15. Outros me oferecem o sacrifício do conhecimento e Me adoram em minha unidade e em minha multiplicidade, como presente em toda parte e em diferentes formas.

16. Eu sou a oblação, o sacrifício, a oferenda aos antepassados, a erva bendita, o hino sagrado, a manteiga purificada, o fogo e também a vítima consumida em holocausto.

17.
Sou pai, mãe, sustentador, avô deste Universo. Sou o objeto do conhecimento, o purificador, a sílaba OM e também o Rik, o Sâma e o Yajur.

18. Sou meta, sustentáculo, senhor, testemunha, mansão, refúgio, amigo, princípio, fim, fundamento, recetáculo e semente eterna.

19. Eu dou o calor, retenho e envio a chuva, sou a imortalidade e a morte, sou o ser e o não-ser, Arjuna.

20. Os que conhecem os Vedas, os que bebem o soma, limpos de pecados e oferecendo-me sacrifícios imploram a Mim o caminho dos céus. Chegando ao glorioso mundo de Indra participam do banquete celestial dos deuses.

21. Depois de gozar ali as delícias do vasto mundo paradisíaco, esgotados seus méritos, retornam a este mundo mortal. Quem segue a lei dos livros sagrados, alimentando desejos em seu coração, alcança apenas o transitório.

22. Aqueles que, vivendo com a atenção sempre fixa em Mim. Me adoram sem pensar jamais em outro ser, ofereço plena segurança de bem-aventurança perpétua.

23. Mesmo aqueles que adoram outras divindades com fé e devoção ardorosas, Me adoram, ó filho de Kuntî, mas não de acordo com a verdadeira lei.

24. Porque Eu sou o senhor de todos os sacrifícios e aquele que os recebe, mas tais homens não Me conhecem em essência e por isso caem.

25. Aqueles que adoram os deuses vão aos deuses; aqueles que servem os antepassados vão a eles, aqueles que cultuam os espíritos elementares vão aos espíritos elementares, mas aqueles que Me adoram vêm a Mim.

26.
Se alguém Me oferece com devoção uma folha, uma flor, um fruto ou apenas água, aceito tal presente de uma alma piedosa e sincera.

27. Assim, pois, filho de Kuntî, qualquer coisa que faças, qualquer alimento que comas, qualquer objeto que ofereças em sacrifício, qualquer esmola que dês, qualquer mortificação a que te submetas, faça-o como uma oferenda a Mim.

28. Desta forma estarás livre das cadeias da ação, sejam seus frutos bons ou maus. Aplicando-te com fervor à Yoga e à renúncia, estarás livre e virás a Mim.

29. Eu sou o mesmo para todos os seres, ninguém Me é querido ou odioso; mas aqueles que Me adoram com devoção estão em Mim e Eu estou neles.

30. Mesmo o homem mais depravado, se Me adora com dedicação exclusiva, deve ser considerado um justo, porque anseia pela verdade.

31. Um homem assim logo se torna virtuoso e se encaminha para a paz eterna. Tem certeza, filho de Kuntî, que quem Me ama, não se perde jamais.

32. Porque aqueles que buscam refúgio em Mim, ó filho de Prithâ, mesmo que tenham sido engendrados no pecado, mulheres, vaishyas e até os shüdras chegam ao fim supremo.

33. Com muito mais razão, pois, os santos brâmanes e os piedosos rishis reais! Adora-Me, pois, neste mundo transitório e cheio de amarguras.

34. Fixa teu pensamento em Mim, prostra-te diante de Mim adorando-me e rendendo-Me culto devoto. Assim unido de coração comigo e considerando-Me como meta suprema, virás a Mim.






Canto X

DAS MANIFESTAÇÕES DE DEUS NO UNIVERSO

Fala Krishna:

1. Meu querido Arjuna, guerreiro de braços fortes, escute mais uma vez Minha palavra suprema. O que vou dizer agora é para seu benefício e dar-lhe-á grande alegria.

2. Nem os deuses nem os grandes rishis conhecem minha origem pois Eu sou o princípio absoluto dos deuses e dos grandes rishis.

3. Aquele que Me conhece como inato e sem origem, senhor soberano do Universo, está livre do erro e do pecado.

4. Entendimento, sabedoria, libertação do erro e da ignorância, paciência, sinceridade, domínio de si mesmo, tranquilidade de ânimo, prazer e dor, miséria e prosperidade, coragem e medo,

5. mansidão, equanimidade, alegria, ascetismo, liberalidade, glória e infâmia: todas essas qualidades dos seres procedem de Mim.

6. Os sete grandes rishis, os quatro kumâras e também os Manus de quem emanam todas as gerações do mundo, participando de Meu ser, nasceram de Minha mente.

7. Quem conhece em essência Minha magnitude e Meu poder místico goza de uma Yoga inalterável. Quanto a isso não há nenhuma dúvida.

8. Eu sou a origem de todo ser, de Mim procede a obra do universo. Sabendo disto, os sábios Me adoram em amorosa contemplação.

9. Com o pensamento fixo em Mim, tendo em Mim concentrada a sua vida, instruindo-se uns aos outros e falando de Mim sem cessar, vivem satisfeitos e felizes.

10. A estes homens que se consagram à união mística e Me servem com amor. Eu lhes inspiro aquela devoção baseada no conhecimento, através da qual chegam a mim.

11. Movido pela compaixão e residindo em sua alma, dissipo neles as trevas nascidas da ignorância, através da luz refulgente da sabedoria. Fala Arjuna:

12. Tu és o supremo Brahma, a glória suprema, a suprema pureza, o espírito perpétuo e divino, a divindade original, sem princípio, omnipresente e o Senhor todo-poderoso.

13. Os sábios mais eminentes, Narada, Assita, Devala e Vyassadeva, declaram tudo isso a Teu respeito. E agora ouvi de Teus lábios a mesma declaração.

14. Creio firmemente na verdade de Tuas palavras, ó Keshava, porque nem os deuses nem os dânavas Te conhecem, Senhor bendito.

15. Apenas Tu conheces a Ti mesmo, por Ti mesmo, ó Puruchottama, autor de todas as coisas,rei dos seres, deus dos deuses, Senhor do Universo.

16. Apenas Tu podes mostrar-me sem reservas teus divinos atributos, graças aos quais penetras estes mundos.

17. Como poderei eu conhecer-Te, através de meditação contínua. Senhor de poderes misteriosos? Sob que forma especial me será dado considerar-Te, divino Senhor?

18. Fala-me em detalhe de teu poder misterioso e de tuas divinas perfeições, Janârdana, e fala mais e mais, pois tuas palavras são para mim o néctar da imortalidade e por mais que eu Te ouça, nunca me sacio. Fala Krishna:

19. Assim seja: vou enumerar-te meus atributos divinos, ainda que me limite aos principais, ó melhor dos kurus, pois não há limites para minha grandeza.

20. Eu sou, ó Gudâsheza, o espírito entronizado no coração de todas as criaturas.

21.Entre os adityas sou Vishnu; entre as luzes, o Sol radiante; sou Marîchi entre os maruts; a Lua, entre as estrelas.

22. Entre os Vedas sou Sâma-Veda; Vâsava, entre os deuses; o sentido eterno, entre os sentidos; a inteligência nos seres vivos.

23. Sou Zankara entre os rudras e Vitteza entre os yakshas e râkshasas; Pâvaka entre os vasus e o Meru entre os picos elevados.

24. Sabe, filho de Prithâ, que entre os sacerdotes Eu sou Brihaspati; entre os chefes guerreiros sou Skanda e entre as águas, sou o oceano.

25. Sou Brighu entre os grandes rishis; entre as palavras sou a sílaba OM (); entre os sacrifícios sou japa; entre as montanhas, o Himalaia.

26. A figueira sagrada entre as árvores; Nârada entre os rishis divinos; Chitraratha, entre os cantores celestes e o inspirado asceta Kapila entre os siddhas.

27. Sabe que entre os cavalos sou Uchchaizravas, ó tu que nasceste do néctar; sou Airâvata entre os nobres elefantes e entre os homens sou o soberano.

28. Entre as armas Eu sou o raio; Kamadhuk entre os rebanhos; Kandarpa, entre os quetêm descendentes e Vâsuki entre as serpentes.

29. Sou Ananta entre os nagas; Varuna entre os habitantes da água; Aryaman entre os antepassados e Yama entre os juízes.

30. Entre os daityas sou o Prahlâda; entre as medidas, o tempo; entre os animais selvagens souo rei dos animais e entre os seres alados, Vainateya.

31. Entre os agentes purificados sou o vento; sou Rama entre os guerreiros; Makara entre os peixes e Jâhnavi entre os raios.

32. Sou princípio, meio e fim de todas as coisas criadas, Arjuna; entre as ciências sou a ciência do espírito supremo e sou o argumento Vâda entre os que discutem.

33. Sou a vogal A entre as letras; o composto copulativo entre as palavras compostas. Sou o tempo infinito, o mestre ordenador, cujas faces estão em toda parte.

34. Sou a morte que tudo arrebata e o nascimento de tudo que adquire vida. Entre os atributos femininos sou a glória, a beleza, a eloquência, a memória, a inteligência, a constância e a misericórdia.

35. Sou também o grande hino entre os hinos do Sama-Veda; entre as formas métricas sou Gâyatri; sou Mârgazircha entre os meses, e a primavera entre as estações.

36. No aventureiro sou o espírito de risco; no forte, a força. Sou a resolução, a perseverança e a vitória; a verdade do verdadeiro e a bondade do bem.

37. Entre os descendentes de Vrishni sou Vâsudeva; entre os filhos de Pându sou Dhananjaya; Vyâsa entre os munis e, entre os sábios, o sábio Ushanâ.

38. Sou a soberania dos que reinam, a tática dos que querem triunfar. Sou o silêncio do segredo e a sabedoria dos sábios.

39. Sou o germe de todos os seres, Arjuna. Sem Mim não há coisa alguma, animada ou inanimada que possa existir.

40. Meus atributos divinos não tem fim, ó perseguidor de inimigos. O que acabo de mostrar-te é apenas uma amostra de minha glória infinita.

41. Tudo quanto há de sublime, perfeito e poderoso, entende, Arjuna, que é produto de uma partícula de minha grandeza.

42. Mas que necessidade tens de conhecer todos esses detalhes, Arjuna? Sabe que o Universo se constituiu e se mantém apenas com uma parcela infinitesimal de Mim mesmo.

♥ 
Fonte do texto : 
Bhagavad Gita 
Cultura Brasileira

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